20 de dezembro de 2009

Magia Disney em S.Paulo

Mágico! Essa é a única palavra que cabe para descrever as emoções de domingo pela manhã. Contextualizando: Parada Disney em Santana. Levei minha sobrinha e meu primo para ver esse desfile que trouxe carros com principais personagens da Disney, aqueles que nos encantaram na infância e encantam ainda, no meu caso pelo menos exercem o mesmo fascínio que anos atrás. O dia estava quente pra burro, o lugar cheio que crianças afoitas, um calor do cão, o cansaço gritando. Tudo isso incomodou até a hora que aquela famosa músiquinha que inicia todas as produções da Disney (quando aparece aquele castelo) começou a tocar.

Histeria total, gritos das crianças, a Helena (minha sobrinha de 3 aninhos) estava em meus ombros e não parava de gritar, não sei o que doía mais, meus ombros ou meus ouvidos. Para abrir o desfile um carro com Pato Donald e Margarida, lindos acenando e levando a galera à loucura!Logo atrás deles talheres anunciavam o casal mais sensacional do estúdio: A Bela e a Fera. Quem me conhece sabe que adoro esse desenho e confesso que não pude conter as lágrimas. É uma coisa de outro mundo (sim eu tenho consciência de que são atores) mas a magia que cerca tudo relacionado a Disney é irresistível.

Sei também que isso não é nada comparado ao parque em Orlando (2010 aí vou eu!!) mas o momento era ainda mais especial porque muita gente ali nunca poderá ir até a Disney mas todos puderam ,por 1h30 aproximadamente, se encantar com personagens que fizeram e fazem parte dos sonhos infantis , estavam por lá Mogli, Pinóquio, A pequena Sereia, Tinkerbell e as fadas (lindas!), Toy Story, as vilãs dos desenhos (Cruela, as bruxas, as hienas) Alladin e Jasmim, Pooh e seus amigos, capitão Jack Sparrow, Peter Pan e Wendy, capitão Gancho e seus piratas,Timão e Pumba,um carro especial que era um castelo com as princesas e seus príncipes: Branca de Neve, Cinderela e a bela adormecida que além de seu amado trouxe também suas amigas Fauna, Flora e Primavera, Lilo e Stitch e High School Musical.

Todos os carros acompanhados de cantores que cantavam os temas principais dos filmes ajudavam ainda mais a criar essa atmosfera incrível.Não tinha um ser vivo calado quando ouvia "necessário, somente o necessário, por isso é que essa vida ou vivo em paz" ou "hakuna matata, é lindo dizer , hakuna matata e vai entender".Foi tudo lindo, apesar da muvuca, e devo dizer minha gente que pra quem, como eu, é tarado por desenhos animados , curtiu e muito o momento, com direito à orelhinhas de Minnie e tudo.Como eu disse, foi mágico.

15 de dezembro de 2009

Talvez não seja um divórcio, apenas um tempo!

Alguns freqüentadores desse ilustre blog devem ter percebido que eu estou ausente nas postagens. Essa situação tem me incomodado e fez com que eu tomasse uma decisão: pedi o divórcio para a sócia, *rs. Na verdade eu comentei com a Leila que queria me dedicar também a outro projeto (que não aborda cinema), que estava me sentindo mal por não estar atualizando o blog da forma como eu gostaria e que estava inclusive um pouco desanimada. Ela não assinou o papel do divórcio, mas me concedeu um tempo, ou seja, minhas opiniões sobre filmes não estarão expostas por aqui nos próximos tempos.
Não vou abordar os motivos que me fizeram tomar essa decisão. Sinto que é o mais justo comigo e com os leitores (calma minha gente, não estou me sentindo a última coca-cola do deserto). Sou do tipo de pessoa que não gosta de começar um livro e parar pela metade, mesmo sendo o livro mais chato dos últimos tempos eu vou até o fim. A minha curiosidade me obriga. Isso vale também para filmes. Inclusive me recordo de uma ocasião em que fui ao cinema e escolhi aleatoriamente uma película, sem nenhuma pretensão e foi um dos piores filmes que já assisti. Chama-se Ben - O Rato Assassino (1972/EUA e Japão/Phil Karlson), é claro que com esse nome ridículo eu não deveria esperar nada, mas foi pior que a minha pior expectativa e eu fiquei na sala até os créditos finais.

Em compensação, na última semana eu tive o imenso prazer de assistir Julie e Julia (2009/Nora Ephron). O filme estreou recentemente e conta duas histórias reais de mulheres que deram um novo rumo para a vida que levavam através da culinária. O filme é encantador, as atuações são bárbaras e você sai do cinema com uma vontade imensa de degustar um delicioso prato, preparado com muito capricho. Hummm essa indicação meu deu fome.
Acho que por hoje é só! Meu conselho no momento é que continuem apreciando os deliciosos textos postados por Leiloca.


Obrigada e beijos, Bruna
Como diz Guilherme Arantes: ”adeus também foi feito pra se dizer, bye, bye, so long, farewell”.

7 de dezembro de 2009

Um viva para elas!

Quem nunca se derreteu com um filminho beeeem bobinho na sessão da tarde? Quem nunca suspirou ao ver a mocinha sofredora terminando a história nos braços de um bonitão cafajeste que se endireitou? Quem aí não desejou, ao menos um vez na vida, estar no lugar de algum protagonista das tão incompreendidas comédias românticas? Pois é minha gente, não há nada mais bacana que uma boa CR ou comédia romântica para os íntimos. É o genêro que cai bem em qualquer hora, não importa com quem estamos, não importa se a sala está cheia de parentes, amigos, homens, mulheres, enfim, é pau pra toda obra. Eu sempre achei que, apesar dos pesares, não é tão simples ser protagonista de CR. aí você vai me dizer "qualé, é muito baba, fácil pra caramba" e eu replico "na na ni na não". Estrelar uma CR requer carisma e simpatia além do indispensável talento cômico. Não dá pra dizer que ser o mocinho significa ganhar os telespectadores. Nada disso!

Não tem nada mais chato do que as pessoas que adoram comparar esse gênero com dramas premiados ou épicos memoráveis. Na boa, a gente não pode criticar uma produção como Um lugar chamado Notting Hill como chata ou sem graça, baseado em filmes como " Dúvida ou O Leitor" pelo amor de Deus né!

Uma boa CR não tem intenção de levar um Oscar e sim ser leve,cativante, despretenciosa and so on. Além de uma história fofa tem também uma boa trilha sonora e um casal ternurinha que convence. Mas isso também não é fórmula ok, tem muita CR por aí manchando a categoria.

Eu ainda acho que esse gênero é incompreendido e quem gosta geralmente é acusado de "gostar de filmes de menininhas" ou " lá vem ela com outro filme abacaxi" e por aí vai (experiência de caso minha gente).

Aos amantes desse tipo de filme, meus parabéns! Aos que ainda relutam em se render ao charme dessas produções, meu pêsames e um aviso: Cedo ou tarde você vai baixar a guarda e entrar para o fã-clube da CR.

beijos

19 de novembro de 2009

Anticristo.... evite quem puder

Uma amiga me ajudou a perceber que não há críticas negativas neste honorável blog. E não é que ela tem razão! Engraçado que isso passou e nem eu ou minha sócia percebemos isso. Não que tudo o que vemos nos agrada, longe disso, há muito o que escrever sobre filmes ruins (em nossa modesta opinião of course). A Bruninha já começou com o filme sobre a Chanel, agora é minha vez!
Já sei que muita gente vai discordar mas esse é um espaço democrático e ponto final. Fiquei super ansiosa para ver o último trabalho do diretor Lars Von Trier, o polêmico Anticristo (antichrist , 2009). A curiosidade era ainda maior pois o filme gerou muito falatório, barulho e assim por diante.

Por fim, cheguei ao cinema e quase não podia conter a animação de finalmente entender o que causava tanto blá bláblá quando , ao sair da sala, e dei conta de que não havia gostado nem um pouco da produção.

Os defensores de Lars podem até dizer que ele é polêmico, que suas obras fogem do senso comum e etc. Concordo. Fui ciente de quem é Lars, sua filmografia, seu estilo, tudo isso pesa na hora do julgamento, mas não teve jeito. É um filme que não recomendo a ninguém, agressivo, sem muito sentido, pertubador, enfim, uma obra que podemos muito bem viver sem.

O mote é um casal que se isola quando seu filho morre. No meio disso tudo, eles vão pra uma cabana no meio do nada. As atuações do casal Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg são louváveis, perfeitas, mas isso não faz do filme algo bacana.

Eu juro que terminei de ver e fiquei com a sensação de não saber de onde veio ou pra onde vai a produção. Não me disse nada. Li algumas críticas depois pra tentar achar algum sentido mas sem acordo, nadica de nada.

Enfim, pra mim é um filme que não vale o ingresso. Me perdoem os que gostaram. Terapia já para o senhor Lars. Eu que já era meio relutante quanto às obras desse cidadão, agora penso 3 vezes antes de conferir qualquer coisa dele. Isso é uma prova de que nem sempre o nome forte do diretor salva sua produção. Nome nem sempre é indicativo de qualidade.

beijos

11 de novembro de 2009

This is it

Eu assumo que só consegui ver esse filme nesta semana, vergonhoso mas é verdade fiéis leitores. Mas como dizem: antes tarde do que nunca rs.
Fui arrebatada pelo filme "This is it" (This is it, EUA 2009). O diretor Kenny Ortega sabiamente avisa antes de tudo que essa produção é especialmente para os fãs do astro pop. Sem pretenções de ser um super filme, um presente para aqueles que tiveram suas vidas embaladas por canções de Michael Jackson, que já tentaram imitar a coreografia de Thriller, ou os gritinhos marcantes do cantor.

Enfim, é um documentário que mostra os ensaios que seria uma série de 50 shows que o cantor faria, seus últimos shows segundo o próprio. Durante os 111min. de exibição a gente se delicia com as canções, todas mostradas na ordem que ele costumava usar em seus shows, algumas com roupagens novas e sai com a certeza de que o mundo da música perdeu um gênio.

Eu confesso que, por vezes duvidei que ele levasse esses 50 concertos adiante, afinal estava habituada a ver um Michael frágil, sem dançar há muito tempo e bem distante daquele dos áureos anos 80. Me surpreendi quando vi que o vigor era o mesmo, as performances tão empolgantes quanto antes, a voz tão marcante e os passos solos... meu Deus sem comentários.

Fora que a genialidade dele era vista nos detalhes, desde os fogos que fariam os espetáculo no palco, os clipes que seriam transmitidos até as notas diferentes de suas canções, afinal, Michael conhecia como ninguém sua obra.Digo sem medo que é um presentão para os fãs, que vale ver e rever, depois comprar e guardar pra ver outras vezes. Como diriam os maestros , Michael tinha ouvido absoluto (em meio ao som de todos os instrumentos, ele ouvia uma notinha fora do tom e madava parar tudo). Humilde, escolheu cada dançarino, montou as coreografias, mudou as músicas, pensou no cenário, na recepção, no que agradaria mais seu público, enfim... fazendo jus ao título de King of Pop.

A parte ruim é que a gente sai da sala meio abalado, afinal não ouviremos ao vivo o baixo empolgante de Billie Jean, a sinfonia de Earth Song, as vozes que arrepiam em Man in the Mirror ou a guitarra alucinante de Black and White. Já saímos com a certeza de isso já é parte do legado deixado pelo rei, que se foi precocemente deixando uma geração inteira saudosa. Eu , por enquanto, continuarei tentando aprender a coreografia de Thriller.

He was that and much more.

beijos


7 de novembro de 2009

Coco merecia mais


Faz tempo que não apareço por aqui.

Mas vamos lá, hoje serei breve e a minha proposta é postar textos menores e mais objetivos, assim não fico completamente ausente.

Fui assistir cheia de empolgação e expectativa o filme Coco antes de Chanel (Anne Fontaine/2009/França) e o que eu esperava era um grande filme sobre uma grande história. O que eu encontrei foi uma grande história para um filme.

Gabrielle Chanel é referência quando se fala em moda, inclusive para os leigos. Quem não conhece a história dela já ouviu falar com certeza do império Chanel e dos altos custos dos produtos da marca. Pois bem, pra mim, essa mulher que não nasceu em berço de ouro, é muito mais que isso: ela permitiu estilos jamais pensados na época (estamos falando de 1920), trouxe mais liberdade na vestimenta feminina e criou modelitos que até hoje estão em alta. Ou seja, ela não copiava, e sim criava, com todo o bom gosto que tinha.

Mas o filme é bastante limitado e mostra apenas uma coitada que por falta de dinheiro improvisava modelitos e teve a sorte de encontrar um homem rico que a ajudou com sua primeira loja. Alguns trechos até são interessantes, exemplo em uma viagem que ela faz para praia e vê pescadores com blusas listradas, ela traz esse estilo para o dia a dia e talvez tenha sido pioneira no que chamamos hoje de modelo marinheiro.

É isso pessoal, essa foi minha impressão. Aguardo comentários.

Bjos
Em tempo, como sempre a Audrey Tautou mostra a que veio e na minha modesta opinião ela é uma das melhores atrizes no momento.

22 de outubro de 2009

Katyn

História sempre exerceu um fascínio gigantesco sobre mim. Não que eu tenha alguma veia maléfica e adore a desgraça alheia mas,em especial,as partes da história mundial que contam guerras, grandes revoltas e revoluções prendem minha atenção. Se são contadas em forma de filme então... vixi! Daí esquece. Nem pisco com medo de perder alguma coisa (rs). Quem curte esse assunto com certeza já viu películas e mais películas sobre o massacre nazista,todas aquelas mortes,a bárbarie e o horror. Outras produções retratam a angústia dos que sofreram com essa opressão,algumas ainda são relatos de quem viveu isso (vide O Pianista, da Roman Polanski - ele viveu aquele horror todo ainda menino e perdeu os pais nesse período também). Enfim, muitas são as opções para se inteirar sobre o assunto e hoje eu lanço mais uma dica.

O longa polonês Katyn ( Katyn, 2007) não vai contar a história desde quando a Alemanha invadiu a Polônia e exterminou todos os judeus de lá. Seguindo uma linha onde não há personagem central e sim diversas histórias paralelas o filme mostra o cenário polonês depois que os alemães caíram fora. Só pra lembrar,em agosto de 1939 a Polônia foi invadida pelos nazistas e um mês depois pelos soviéticos (que ficaram meio que em cima do muro não declararam guerra à Polônia e ainda fingiam lutar ao lado deles pela desocupação). Enfim, em 1945 depois da retirada das tropas nazistas,um distinto cidadão conhecido por Stalin levantou a bandeira do "ei poloneses eu sou muito gente boa e botei os alemães pra correr. Quem quer ser meu amigo!?". Acontece que nesse meio tempo o exército polonês já era refém dos soviéticos e cerca de 500 deles foram deportados para a Sibéria.

Daí permanecia a dúvida. Se a guerra acabou por que então nossos soldados não voltam pra casa? O longa do polonês Andrzej Wajda tem foco justamente nessa "mentirinha" sobre a bondade de Stalin. Cerca de 20mil soldados polacos foram enviados a floresta de Katyn (daí o título) .Entre esses soldados está o jovem oficial Andrzej (Artur Zmijewski) que, apesar dos pedidos de sua esposa Anna (Maja Ostaszewska), permanece no caos da situação, ao lado dos companheiros de exército. Esses soldados são mantidos como prisioneiros e o filme se baseia nos relatos do oficial Andrzej que foi anotando tudo em um diário que,mais tarde, fora enviado a sua esposa.

Em Katyn, aproximadamente 15 mil soldados poloneses foram executados com um tiro na nuca (algumas fontes registram que tenham sido mais de 25mil). Há um tom de documentário nesse longa, e pra quem gosta de história é um prato cheio. Dá pra ver paixão no filme, não de romance mas paixão na produção sabe. Acho que por se tratar de várias histórias paralelas a gente meio que se envolve e sente o drama tanto dos que foram tanto das famílias que ficaram. Depois de ver esse filme acabei descobrindo que o próprio diretor também viu isso de perto. Pelo que li depois, seu pai Jakub Wadja, foi um dos oficiais executados em Katyn e sua mãe, Aniela, foi uma das mulheres que esperaram pelos maridos - exatamente o ponto de vista narrativo do filme.
Havia entre os que ficavam um dúvida sobre a verdadeira origem dos assassinatos. Houve os que ousaram acusar Stalin e foram mortos obviamente, como houve, também, os que se calaram diante disso tudo e optaram por suas vidas. O filme é quase uma homenagem aos que não se calaram e fizeram questão de escancarar o crime que Stalin tanto tentou esconder, culpando os nazistas pelos assassinatos cometidos por ordem dele. Também abre o debate: seria melhor encarar tudo e gritar aos quatro ventos que Stalin era o verdadeiro mentor dos crimes cometidos em Katyn ou aceitar as mortes e tentar levar a vida?

Prometo que está acabando, mas acho interessante lembrar que foi nesse cenário que Karol Józef Wojtyła (ou Papa João Paulo II) cresceu. Nessa bárbarie toda estudou em seminários clandestinos e também perdeu parentes na II Guerra. Além de tudo o que eu já escrevi (abusei, assumo e peço desculpas!) ,Katyn ainda teve indicação ao Oscar de 2008 como Melhor Filme Estrangeiro.
Fica a minha dica, vale cada um dos 118min de exibição.
Beijocas

14 de outubro de 2009

Deixa ela entrar

Eu juro que por tudo que já havia lido sobre a produção sueca Deixa ela entrar (Låt Den Rätte Komma In/ Let the Right One in, 2008) eu confesso que, como tontinha que sou, achei que fosse sair de lá aos berros e morrendo de medo. Afinal só no cartaz a gente já lê coisas do tipo "o melhor filme sobre vampiros de todos os tempos" ou " assustador" e por aí vai. O gênero foi classificado como terror mesmo e depois de ver, confesso à vocês fiéis leitores, que se trata de uma produção brilhante. Os mais conservadores que me desculpem mas acho que há muito tempo não se via um filme de terror tão sofisticado e ao mesmo tempo tenso e assustador como esse. O último que me lembro é O Bebê de Rosemary (do no nosso mais novo pedófilo Roman Polanski).
Deixa eu contar como é. O filme se passa em 1982, no subúrbio de Estocolmo. O foco é o menino Oskar (Kåre Hedebrant) um frágil e tímido garoto de 12 anos, que apanha dos colegas na escola, tem uma família desestruturada e não tem amigos. Passa o tempo livre sozinho imaginando como seria bacana se vingar dos panacas que o azucrinam na escola e outras coisas mais. Na paisagem super gelada da cidade, neve para todo o lado eis que ele conhece sua nova vizinha Eli (Lina Leandersson) que também tem 12 anos mas.... é uma vampira.

Oskar não sabe disso até certo momento do filme e a química entre eles é instantânea. Aí é que entra a delicadeza e o cuidado do diretor ao retratar essa relação fora do comum , digamos assim, sem se esquecer de que a nossa garotinha é chegada num sanguinho de vez em quando.
O terror fica mais na nossa expectativa e imaginação. Claro que há uns pulinhos na cadeira de vez em quando , mas nada de visceras pra um lado, tiros e água benta pro outro e por aí vai. A coisa é mais intensa, mas profunda e mexe mesmo com a gente. O filme não aborda apenas o estado vampírico da nossa amiguinha, há outros temas que são tocados de maneira sutil mas o espectador saca na hora. Por exemplo, uma coisa que me chamou muita atenção foi o fato da aceitação. Mesmo depois de presenciar a força que sua aparentemente frágil amiga possuía, de vê-la lambendo o sangue que caia de suas mãos, Oskar continuava encantado por Eli.

Eles se descobriram juntos, afinal ela já tinha 12 anos há muito tempo, e aprenderam a lidar com as questões universais da pré-adolescência juntos. Há um climinha de romance no ar (calma não pense que eu sou pervertida) mas os dois acabam se completando.
Ela encoraja Oskar a se impor, a levantar a cabeça e não levar desaforo pra casa enquanto ele lhe ensina coisas simples mas essesnciais para uma garota de 12 anos, como diálogos secretos por toques nas paredes, brincadeiras simples mas que faziam dos dois um complemento necessário um para o outro. Para mim a intenção do diretor não era mesmo assustar e sim fazer a turma refletir através de um gênero que, cá entre nós, não foi feito pra isso. Mas a coisa deu certo e eu finalmente entendi todos os elogios do cartaz. Vai ver a gente se assusta com o ser humano mesmo, aquela vampirinha tinha mais sentimentos que muita gente que eu conheço mas enfim, isso fica pra próxima.Fora isso ainda há o sacrifício pelo que se ama, a quebra de pré-conceitos; a conquista e mais uma diversidade de assuntos que são mostrados durante os 114 minutos de exibição

E não se engane achando que é mais uma produção pegando onda na febre dos vampiros. Nada disso, como eu disse antes, é algo mais sofisticado (e não tomem isso por chato hein!)

Confiram a produção e depois me contem. É de uma simplicidade e objetividade assustadoras.

beijinhos

2 de outubro de 2009

Nossa natureza selvagem

Eu demorei pra falar desse filme aqui, mas chegou a hora. Finalmente aconteceu algo que me fez tomar essa atitude tão nobre e tardia (rs!). Essa semana eu ganhei de duas pessoas lindas o livro que deu origem ao filme Na natureza selvagem (Into the wild, EUA 2007). É o diário de Christopher McCandless que depois de se formar resolve largar tudo e descobrir a natureza. O largar tudo é no sentido mais literal da palavra, só com uma mochila nas costas, sem dinheiro e com a cara e a coragem ele parte em busca daquilo que considera liberdade.
Chris é interpretado pelo sensacional Emile Hirsch que apesar da pouca idade já provou ser mais que um rostinho bonito. E é bem engraçado o que nós consideramos liberdade, a ideia que temos da tal felicidade.Isso fica muito explícito no filme, essa busca sem fim, essa angústia, esse anseio pelo novo.

Ah, antes que você pense que deve ser um puta filme sem graça, deixa eu dizer uma coisa. Quando Chris sai em busca desse ideal de liberdade, a reflexão que fica é: Quem é que nunca teve vontade de sumir no mundo? Sei lá, depois de levar um pé a bunda, perder o emprego, fazer a maior burrada da história, perder alguém querido, enfim são inúmeras as situações que já nos fizeram pensar nisso.
Nessa longa caminhada ele encontra diversas pessoas, faz paradas mais longas em determinados lugares, tem contato com muitas culturas diferentes e sempre escrevendo para sua irmã, que sofre aguardando notícias ao mesmo tempo que se alegra pela conquista do irmão. Nosso amigo fugia de uma carreira já planejada pelos pais, um futuro promissor e executivo nos negócios da família.
A trajetória desse desbravador é embalada por uma trilha fantástica composta por Eddie Vedder (do Pearl Jam) e tudo isso orquestrado pelo genial Sean Penn que aqui mostra mais uma vez que leva jeito e muito jeito para direção.
Ele soube com maestria mostrar a angústia do protagonista e a necessidade em sair em busca de aventura, necessidade de se conhecer mesmo, de saber que é possível viver sem ser escravo do capitalismo, do consumismo do "que quero isso".

O problema, e eu nem sei mesmo se é um problema, é que quando Chris decidiu o que queria fazer, idealizou a sua tão sonhada felicidade se trancou para o resto. O filme toca nessa questão delicada também, da ambição em alcançar um objetivo e se esquecer de todo o ambiente que nos cerca. Nesse caso família, amigos, amores e outros. Uma cena que mostra muito isso é quando ele encontra um senhor que já desistiu da vida estava , como diria Raul " sentado no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar". Para os dois o encontro foi marcante.De uma lado alguém ávido pela vida, do outro alguém que já havia desistido há muito tempo. Esse conflito mexe com a gente, os diálogos, os argumentos e as defesas apresentadas por eles realmente fazem a gente parar pra pensar um pouquinho.

A paisagem nem preciso dizer é deslumbrante, e tudo isso foi registrado em no diário do moço, que como disse antes já virou livro. Ele enfim chegou ao lugar onde tanto queria, viveu as emoções que esperava mas... de repente não tinha ninguém pra dividar tudo isso. Quando nosso Chris se deu conta estava sozinho, com uma carga de emoções tremenda e o lápis já não bastava para extravasar as emoções. Infelizmente quando ele descobriu isso já era tarde. Em seu caminho, não soube separar as frutinhas vermelhas das mais claras. Fica a dica então, ambição é ótimo, querer crescer e melhorar é sensacional. Cultivar um ambiente e pessoas com quem se possa contar nessas e para essas conquistas é imprescindível.

Nota: quem ver o filme vai entender o lance das frutinhas vermelhas.
beijocas



23 de setembro de 2009

Falando grego, inglês, russo... sei lá!

Tá. Todo mundo está careca de saber que eu gosto, e gosto mesmo, de comédias românticas. Me desculpem quem não curte, mas eu amo um filminho mamão com açúcar, daqueles bem melados que depois que a gente vê, fica até com medo de ser engolido por formigas.
Na semana passada eu fui fazer uma maratona de cinema, tiro ao menos 1 dia no mês para ver (no mesmo dia) dois ou três filmes. Lá estava eu, acabada depois de ter visto o Anti Cristo (a tão pôlemica película de Lars Von Trier) que ao sair da sala dei de cara com um cartaz lindinho, todo colorido, com o seguinte nome: Falando grego. Resultado? 5 minutos depois lá estava eu, de volta à sala de cinema. Ah, vou deixar o comentário do filme do Lars para minha sócia Bruna (certo sócia???).

Então vamos lá. Falando Grego (My life in ruins, EUA/Espanha 2009) é sim uma comédia romântica. Nia Vardalos (aquela mesma do Casamento Grego) é Gerogia, uma americana de origem grega, que mora na Grécia e trabalha como guia turística em uma agência decadente. Detalhe: ela ama a história da Grécia e quer passar isso para os turistas que, por outro lado, só querem tirar fotos e comprar bugigangas.

No meio disso tudo, junte um senhor experiente (Richard Dreyfuss - uótemo), os mais caricatos turistas (quem viajou em excursão vai se identificar e muito) e um motorista quietinho , meio bicho do mato que vira príncipe (AFE!!) no final.
Previsível? Sim. Batido. Talvez . Mas isso tudo não tira o mérito da produção que garante ótimas risadas e momentos agradáveis , não importa a companhia. Ah, e você ainda vai perceber uma crítica ao consumismo desenfreado e vazio. A turma no berço da civilização agindo como se estivessem na 25 de março! História que é bom , nada! A gente quer é gastar!

Tudo bem, tenho certeza que há quem diga que o roteiro é batido, no fim tudo acaba bem, que na vida não é assim, mas quem foi que disse que cinema tem que ser cabeça o tempo todo! Pelo amor de Deus minha gente, filminhos do tipo "quero isso pra mim" são sempre super bem-vindos!

E digo mais, Nia Vardalos se especializou em histórias com ligações gregas. Quem viu o filme que a lançou Casamento Grego, sabe disso. A moça dirige, produz e atua. Super talento. Tudo bem que nesse último ela não lembra em nada a gordinha do primeiro filme, a não ser pelo final romântico.
Além disso tudo, ainda há as belas paisagens da Grécia, as cômicas situações dos turistas (cada tipo!) e a música super alegre que embala o filme.

Em suma, vale o ingresso! Super indicado pra ver com as amigas e sair de lá falando do espetacular Alexis Georgoulis (o motorista - google nele meninas!) espetáculo de revelação! Mas se você for com o "bofis" não tem problema também, depois você liga para as amigas rs!

É isso, me contem depois!



16 de setembro de 2009

Mordida com sotaque inglês

Eu sempre fui apaixonada por histórias de vampiros. Não sei dizer a razão, se pela curiosidade que esses seres despertam, pelo mistérios que emanam ou simplesmente porque no fundo, eu queria ser uma vampirinha! Nem vou dizer que ando surtando com série True Blod exibida pela HBO (super indico aliás) e que passo horas discutindo com um super amigo que, também ama os dentucinhos, diversas teorias vampirescas. Não é Robson!!!

Enfim, desde Bela Lugosi (seu Drácula de 1931 é fabuloso) as encarnações desses seres são as mais diversas, imperando um misto de sensualidade e fragilidade, seres que lutam contra sua “natureza perversa” (alguns nem tanto, né Tom Cruise?!?!?), e sempre, invariavelmente, se apaixonam por um humano.

Lá vamos nós para uma dica com sotaque inglês. Na verdade eu esperei demais pra escrever sobre esse filme, talvez estivesse esperando o fim da trilogia né, assim fica mais bacana e tudo mais. Mas vamos deixar de conversa fiada e irmos logo ao que interessa! A franquia americana Anjos da Noite (Underworld EUA,2003,2006 e 2009) é uma boa prova de que filmes com vampiros ainda rendem boas histórias.

O mote é esse: uma briga milenar entre vampiros e Lycans (lobisomens). Junte à isso um casalsinho ternura que (claro!) tem que lutar pra ficar junto, um chefe de vampiros mentiroso e o bandido que não é bandido. Pronto! Já temos uma super bacana e indicada trilogia.

O filme começa com essa guerra, a vampirinha que narra a história se chama Selene (Kate Backinsale) e explica como essa guerra começou, como vivem os vampiros de hoje e dá uma boa passada na história dessa rivalidade. Até que ela descobre que Lucian (Michael Sheen suuuuper versátil) , o chefe dos lycans está vivo e atrás de um humano (todos pensavam que o totó já havia sido morto).

Basicamente no primeiro filme descobrimos que ninguém é o que parece ser, o bom não é bom e muito menos o bandido é bandido. Em 2006 vem a segunda parte, Anjos da Noite – A evolução- que continua na pegada de ação do primeiro, com ótimos efeitos visuais e personagens cheios de história pra contar, não só pêlos e dentes mas muito conteúdo. Nos dois primeiros, a direção é de Len Wiseman , marido de Kate (que largou Michael Sheen nas filmagens do primeiro filme pra ficar com ele) que soube levar bem a produção.
Tem alguma coisa nela que encanta até quem não gosta desses seres. Não chega ser assustador, é interessante eu diria. Daí em 2009 temos Anjos da noite – A Rebelião.

Lembra quando eu disse que o bandido não era bandido. Pois bem, ele ganha um filme só pra ele pra contar como, de verdade, começou a rivalidade entre vampiros e lobisomens. Lucian era apaixonado pela filha de Viktor (o ótimo Bill Nighy) chefe dos vampiros. É claro que eles não poderiam ficar juntos né, daí o pai ,literalmente, manda a filha pra forca , mata a mocinha só pra que ela não misture as espécies (ela estava grávida). O probrezinho do Lucian é forçado a ver sua amada queimar (no sol) e se desfazer em cinzas. Antes de tudo isso , os lycans eram escravos, como cães de guarda dos vampiros. Depois disso há o levante e a turma resolve ser independente.

Daí é muita mordida, arranhão, sangue e por aí vai. Sensacional. E sim, essa história que narra a origem é a última das três produções (qualquer semelhança com George Lucas é mera coincidência).

Os filmes são muito bem amarrados, as continuações se valem de pistas e memórias mostradas nos anteriores para criar novas histórias e explicar outras coisinhas. Sem falhas. Sem contar minha gente que, seguindo a tradição os vampiros e lobisomens enchem a tela (grande ou pequena) de peitorais bem definidos (meninas confiram!!) e corpos per-fei-tos!

Fora isso, é difícil mas esqueçam as obras de arte de carne e osso, o filme é um prato cheio para fãs dessas histórias ou simpatizantes apenas. "Tudibão" vampiros e lobisomens com sotaque da terra da Rainha!

Na minha opinião destaque para Michael Sheen, ator britânico de teatro que tem encarado ultimamente os mais diversos papéis. Kate causa inveja naquela roupinha de couro e Bill Nighy , sem comentários! Não lembra em nada o roqueiro cômico e decadente de Simplesmente Amor. Fabuloso!

Ah, Robson esse post é em sua homenagem. Esse cara é phd em assuntos vampiríristicos rs rs

Me contem depois!

9 de setembro de 2009

É no Divã que as coisas acontecem


Vira e mexe entra em cartaz filmes que são direcionados ao público feminino. Na maioria das vezes é aquela coisa sobre adolescentes, universidade, primeira vez, decepção amorosa, mãe e filha, enfim, os leitores, principalmente as leitoras, sabem do que estou falando. Como minha sócia tem destacado bastante as produções nacionais achei que seria digno contribuir, ainda mais depois de ter a excelente surpresa ao assistir Divã (José Alvarenga/2009/Brasil).

O filme conta a história de Mercedes (Lília Cabral), uma mulher na casa dos 40 anos, casada, com dois filhos, que vive como uma cidadã comum da classe média. Em um belo dia ela resolve procurar um psicanalista e ao chegar no consultório do terapeuta nem sabe os motivos que a levaram até lá, até que quando começa a tagarelar não para mais e a partir disso as transformações em sua vida acontecem.

A personagem questiona o casamento, a realização profissional, a morte prematura da mãe, os cuidados do seu pai, e expõe inúmeros sentimentos que talvez ela nem tivesse conhecimento. O divã proporciona uma experiência única de autoconhecimento e Mercedes percebe que leva uma vida morna, e como diz uma amiga minha, água morna não serve nem pra fazer chá.

A jovem senhora de vida tradicional surpreende a todos – que inclusive a subestimavam por ser tão certinha -, e resolve se entregar aos prazeres, realizando suas vontades e desejos, traduzindo para o bom português, ela vai aproveitar a vida que nunca se permitiu aproveitar (a redundância é proposital)! Nessa mudança radical, Mercedes se apaixona por um rapaz mais novo, trai o marido, se separa, se decepciona por amor, vai em uma balada gay, muda o figurino, pede conselhos para a filha adolescente da amiga, corta o cabelo com a seguinte frase: - repica Rene, repica tudo (risos), entre outras loucuras.

Outro ponto importante no filme é o relacionamento dela com a amiga Monica. As duas são completamente diferentes no quesito personalidade e pretensões, mas mesmo assim são cúmplices e debatem diversos assuntos como sexo, casamento, realização, traição, etc. Monica é casada, vive em uma bela casa, tem filhos, é super ciumenta e vaidosa e afirma que a vida que leva é tudo o que sempre sonhou (casar e construir família). Já Mercedes não compreende como a amiga se contenta com isso e deixa a entender que falta outro tipo de realização para que uma mulher seja completa.

O filme não é composto só de cenas engraçadas. Em diversos momentos enquanto a Mercedes está no Divã, fica aquele clima sério no ar e ela toca naqueles assuntos que são casca de ferida para qualquer um, que só de pensar já bate uma deprê. Sem falar quando o foco da terapia passa a ser a superação de uma perda, garanto que rolam lágrimas.

Na minha opinião, ao assistir esse filme fica muito claro a importância de nos conhecermos melhor e de certa forma respeitarmos nossas vontades, acredito que assim a felicidade se torna uma busca mais fácil.

O elenco conta com José Mayer, Reynando Gianecchini, Cauã Reymond, além de excelente fotografia e trilha sonora. O filme já está disponível em DVD para venda e locação.

3 de setembro de 2009

Viagem a Darjeeling

Amoooo roadie movies!! Filmes pé na estrada pra mim são sensacionais! Se tiverem aquela carinha independente ainda, ai meu Deus, já ganhou!

Agora faça a soma: pé na estrada + irmãos problemáticos + roupas coloridas + trilha da hora + Índia = Viagem a Darjeeling (The Darjeeling Limited - EUA 2007). O filme leva o nome do trem fictício onde a viagem de reconciliação dos irmãos Whitman começa. Deixa eu contar como é: São três irmãos que se reecontram 1 ano após a morte do pai. Nem é preciso dizer que o relacionamento deles é bem manjado né, ou seja, super problemático. Cá pra nós como todo relacionamento entre irmãos né, super interessante a convivência entre esse seres, é delicioso na verdade.

Então, Francis (Owen Wilson) é o mais velho, o cara bem-sucedido, mais experiente que resolver armar uma viagem pela Índia com os dois irmão para encontrar a mãe. No caso os irmãos são sabem que o final da viagem seria o abraço da mamãe (Angelica Houston) que está nas montanhas do Hiamalaia em uma missão católica agora e nem foi ao enterro do ex-marido.Temos também Peter (Adrien Brody) que vai ser pai e ficou meio "viciado" em objetos pessoais do falecido para guardar de recordação e o caçula Jack (Jason Schwartzman) que está passando por uma fase complicada com a namorada.

O diretor é o Wes Anderson e, se você gosta de acompanhar e comparar as obras dos direores (como eu faço) vai entender o que eu vou dizer. Em todos os filmes que vi desse cara, os personagens são riquíssimos e muito bizarros. Cada um é um filme novo, diferente, cheio de informação. Para cada personagem, um roteiro. Conforme embarcamos no trem a gente passa a conhecer melhor esses três. Francis quer desesperadamente voltar a falar com os irmãos, nesse processo muitas cicatrizes são expostas. Descobrimos, por exemplo, que Francis espatifou a moto numa tentativa de suicídio (a vida imita a arte, na real o ator tentou suicídio também), que Peter está extremamente inseguro com a paternidade e que Jack não se entende mesmo com a namorada. Isso tudo foras as situações típicas de irmão mesmo, aquelas coisas de um contar algo pra um irmão e não contar pro outro, falar mal e mais um monte que eu tenho certeza vocês que têm irmãos já fizeram (ou fazem né!).

As cores vibrantes das roupas usadas pelos três são ótimas também, dão aquela cara indie ao filme e já carregam a assinatura de Wes Anderson.

Quem se aventurar, tenho certeza de que vai se identificar com um dos três irmãos. Não tem como passar batido.Eu vou rasgar seda mesmo pro diretor sabe, descaradamente. Se a gente fosse desmembrar cada um dos personagens, teríamos 3 filmes totalmente diferentes. Isso é fato. Na minha humilde opinião , Wes é um dos mais criativos diretores da atualidade. Ele sabe como carregar de emoções seus personagens. Não sei, nesse filme apesar de serem distintos todos carregam uma certa melancolia sabe, encantador. E a escolha dos atores não poderia ser melhor. No fim é uma tragicomédia sobre relacionamentos familiares. A mãe deles é outra doida, não fica atrás.

Ah, ainda por cima tem um outro recurso que eu a-do-ro! Aquelas viagens nas lembranças dos personagens, o filme não segue uma ordem cronológica. A gente está vendo uma situação, de repente somos levados à outra época, quando o fato narrado ocorreu. Muito legal!

Enfim, pra quem não conhece nada desse diretor minhas dicas são: Os Excêntricos Tenenbaums e A vida marinha de Steve Zissou.Vocês vão ver que Viagem é cheio de momentos únicos, situações absurdas e diálogos muito cômicos. Para os mais curiosos, há um curta (nos extras do DVD) com a história Hotel Chevalier que conta melhor a história de Jack e sua namorada (Natalie Portman - sensacional).

Super recomendo minha gente!

Nota: Pelo amor de Deus, se alguém assistir Viagem a Darjeeling me explique o que o Bill Murray está fazendo lá! Eu juro que não saquei qual é a dele nesse filme... juro que não entendi. Me avisem!

beijos

19 de agosto de 2009

Frost X Sarney... será que rolaria?

É fato que nós como eleitores e cidadãos já não botamos fé na política brasileira. Pior ainda, a gente só ouve falar de barbaridades e nem se abala mais. É triste mas não sei também o que poderia ser feito para que isso fosse diferente.
Vamos lá, no domingo estava querendo repetir alguma película. Estava muito cansada e não queria pensar muito sobre que novidade incluir em meu arquivo cerebral, então optei por um filme repetido mesmo.
Olhando meus filhotes me lembrei do sotaque fabuloso de Michael Sheen. Não era hora para vê-lo de lobisomem (não que eu não goste - adooooro) então fui pra uma coisinha mais...
séria!

Enfim, lá estava eu acompanhando a entrevista do século (pode dizer que é exagero, eu aguento) Frost
/ Nixon (Frost/Nixon, EUA/ Reino Unido e França, 2008) . Tudo bem que, na época do Oscar esse filme foi cansativamente explorado, o diretor Ron Howard exageradamente louvado, mas ele ainda não tinha pintado por aqui né. Nada melhor que uma história dessas em tempos de atos secretos no nosso super transparante senado.

Pra quem ainda não sabe, eu adianto a história. O filme foca a entrevista que o apresentador inglês David Frost (Michael Sheen) fez com o então
mais novo ex-presidente americano Richard Nixxon (Frank Langella) .O moço havia renunciado há três anos, se mantido em silêncio apesar de toda revolta do povo, das acusações de que ele havia rompido com o modelo de governo americano e blá blá blá. Tinha também a questão de Watergate que ainda estava sem explicação. Um belo dia, no verão de 1977 nosso simpático Frost decidiu que entrevistaria Nixon. Lembrando que o presidente era um cara sábio, habituado a dar entrevistas para os mais diversos jornalistas , então quando Frost fez o convite ele nem se preocupou ou sequer imaginou que passaria por qualquer saia justa. Afinal, era "apenas" um apresentador inglês. Na verdade nem a equipe de Frost, estava botando muita fé no cara. Afinal ele era bom com a platéia e não em colocar gente grande contra a parede!

A verdade é que, quando a câmera foi ligada uma batalha se travou entre esses dois "monstros". Cada um foi se revelando, incertezas, certezas, medos, desconfortos, enfim uma infinidade de coisas e no fim, para surpresa de todos, Frost conseguiu revelar um Nixon que nenhum outro havia conseguido mostrar.
Mas vamos aos fatos. Na equipe de Frost havia um escritor americano que já tinha publicado 4 livros sobre o presidente. Normal. Ele era o responsável pelas pesquisas sobre Nixon, sobre a política adotada, os atos e tudo mais. Eu fiquei até com vergonhas quando vi a paixão com a qual o James Reston (Sam Rockwell) fala sobre a política instaurada em seu país. A vontade do cara é matar o Nixon, ele estava simplesmente revoltado com o fato do presidente ter envergonhado o sistema político americano.

Mal sabia ele que, certo sr. Bush ainda viria a envergonhar ainda mais a nação americana. Enfim, o cara revoltado com isso e a gente nem se espanta com as barbaridades dos nossos governantes por aqui.

Caracas , por isso a minha vergonha, como foi que chegamos à esse ponto? O pior é que, nem sequer conseguimos ânimo para pensar em revolta... perdemos completamente a fé e a esperança na restauração da política brasileira. Uma pena já que nosso País é um lugar sensacional. Não temos tragédias naturais (salvo algumas) porque as tragédias são eleitas a cada quatro anos né, vão direto se sentar nas cadeirinhas confortáveis do senado, das prefeituras, das câmaras... imaginem!

Será que o Sarney em frente ao Frost, revelaria finalmente toda a podridão do senado? Será que o Frost seria tão perspicaz ao ponto de arrancar algumas verdades do cara de pau do Sarney? Será que ao menos, ele teria a decência de se sentir desconfortável com alguma questão?
Sei lá, mas do jeito que a coisa anda, nem um super David Frost conseguiria nada dessa corja... triste, mas verdadeiro.
Esse é só um aspecto interessante do filme gente boa, eu vou ser repetitiva e dizer que super vale a pena conferir.

Ah, mais uma coisa, os atores nos papéis principais são os mesmos que fazem a peça que leva o mesmo nome. E esclarecendo, o Michael Sheen não tem qualquer parentesco com o Charlie Sheen rs rs rs

beijocas

3 de agosto de 2009

O cineopse dá a dica!

E vejam só que engraçado, a gente está careca de saber que, filme americano aqui bomba! Não importa se é ruim ou não, bastou enrolar a língua que vira sucesso. Diante disso, muita coisa boa nacional acaba passando em branco por aqui.
Os mais atentos e de mente mais aberta vão se lembrar do levante do cinema tupiniquim. Produções que começaram a dar um sinal do que estaria por vir nas nossas telinhas. Quem se lembra de Carlota Joaquina (1995) sabe disso. Já era um aviso de que estávamos entrando nos eixos e nos preparando para conquistar novos fãs.

E de lá pra cá a gente só cresceu.As produções melhoraram,diretores surgiram,atores foram descobertos, roteiristas de destacaram e fomos nos tornando "experts" na arte de contar histórias.
Mais legal que ver o filme, é saber o que e quem o faz. Juro que isso não é coisa de nerd ou gente mala! Todo o processo, da criação até o lançamento, é super interessante, é encantador, parece até outro mundo. Por isso eu sou uma apaixonada declarada pelos "extras" dos filmes. Bastidores então, nem me digam... fazem minha cabeça!

O universo do filme "O contador de histórias" (O contador de histórias, Brasil 2009) estará em exposição no Shoppping Pátio Higienópolis, em São Paulo. Deixa eu explicar. No pátio do shopping objetos usados em cena pelo elenco da produção, estarão ali para quem quiser ver. Será um grande set de filmagem, um deleite para os olhos dos cinéfilos.O filme conta a história de Roberto Carlos Ramos (Marco Ribeiro,Paulinho Mendes,Clayton Santos) , que aos seis anos foi deixado pela mãe em uma entidade assistencial recém criada pelo governo. Considerado um menino de rua irrecuperável, Roberto Carlos se transformou em um dos dez melhores contadores de histórias do mundo.

A realidade das casas de recuperação no Brasil a gente conhece e , por isso, nem é preciso dizer que o tempo que ele passou lá fez com que o nosso pequeno protagonista perdesse completamente as esperanças. A propaganda na tv dizia que a casa de recuperação preparar as crianças para serem médicos, advogados e engenheiros. Acreditando nisso, a mãe do menino achou que estava fazendo o melhor pelo seu filho.A história foi completamente diferente.

Contudo, para a pedagoga francesa Margherit Duvas (Maria de Medeiros), que vem ao Brasil para o desenvolvimento de uma pesquisa, Roberto representa um desafio Determinada a fazer do menino o objeto de seu estudo, tenta se aproximar dele. O garoto em princípio reluta, mas, depois de uma experiência traumática, procura abrigo na casa de Margherit.O que surge entre os dois é uma relação de amizade e ternura, que porá em xeque a descrença de Roberto em seu futuro e desafiará Margherit a manter suas convicções.

O filme tem direção de Luiz Vilaça e é baseado na história do mineiro Roberto Carlos Ramos. Quem quiser saber um pouquinho mais sobre ele, pode acessar o site http://www.robertocarloscontahistoria.com/ , o cara tem um trabalho muito bacana. A produção do filme é assinada por uma grande e querida conhecida do público brasileiro , Denise Fraga, que inclusive já trabalhou com Luiz Vilaça no engraçadíssimo "Cristina quer casar". O contador de histórias foi rodado em Belo Horizonte, São Paulo, Paulinia e Portugal e tem a participação super especial da atriz franco -portuguesa Maria de Medeiros. Agora a história do contador de histórias será contada por uma turma muito competente, só gente grande.

O filme entra em cartaz em todo país no dia 07/08, mas a dica é: matem a curiosidade antes da estreia. Assim fica até mais gostoso reconhecer os cenários. Eu garanto que será uma deliciosa viagem ao mundo de uma produção com gostinho de realidade.

Exposição “O Contador de Histórias”
Shopping Pátio Higienópolis - Av. Higienópolis, 618.
Local: Piso Higienópolis – Entrada principal
Data: de 01 a 13 de agosto
Horário: de segunda a sábado das 10h às 22h e aos domingos das 12h às 20h
Entrada gratuita

Me contem depois!

beijos

30 de julho de 2009

Coisas de sócias

A cineopse de hoje não é sobre um título apenas, mas vários.
Não consigo nem imaginar falar de amizade citando só um filme, me desculpe quem consegue.
Na verdade, pra falar de amizade não há nada mais ilustrativo, mais digno e mais verdadeiro do que nossas próprias vidas.
Na boa minha gente, o que passa de personagem estranho e interessante na vida da gente não está no gibi né. Imaginem se vocês parassem para escrever um roteiro de suas vidas a quantidade de personagens que ele conteria! Afe!!

Enfim, tentarei ser breve. Ontem 29/07 - quarta-feira, uma protagonista muito querida completou mais uma temporada. Bruna Bernordi, Brunex, Brunoviscky, Bruninha, BB ou simplesmente sócia. É super verdade o que dizem que a gente nunca sabe quando uma amizade vai nascer. Eu me espanto quando olho pra trás e vejo que, a gente não se vê todos os dias (apesar de trabalharmos no mesmo prédio, mesma empresa, e estarmos em andares próximos, eu no 7º e ela no 6º) nem sempre nos falamos, não saímos todos os finais de semana, a gente não conhece a casa ou os pais da outra, nunca viajamos juntas e mais um montão de coisas que amigos fazem. Mesmo assim, alguma coisa "estranha" une a gente. Pode ser o cinema (com certeza tem dedo dele aí) mas vai além disso. Há um laço de confiança, de carinho, de respeito e admiração que foi crescendo sem a gente perceber. Amizade é isso aí, foge do controle.

Mas é assim que as coisas são. A minha sócia é admirada pela sua beleza, mas poucos têm a sorte de conhecê-la por inteiro. Poucos têm o privilégio de saber quem é a Bruna e contar com ela. O mundo relata grandes amizades: Batman e Robin; Tim Burton e Johnny Depp; Burro e Shrek; Gênio e Alladin; Timão e Pumba; Thelma e Louise; John Lennon e Paul McCartney; Wagner Moura e Lázaro Ramos e mais uma penca de gente!

Queridona, você vai longe ! Eu te desejo ainda mais sucesso,mais saúde (cuida desse olho moça!!!), mais alegria, sorrisos, abraços, doces, filmes,músicas bregas, de fossa, dançantes, barulhentas e o que mais você gostar!

Parabéns!!!!
beijocas

21 de julho de 2009

O Clube do Filme

Junte um adolescente de 15 anos que não gosta de estudar e tem péssimo desempenho escolar e um pai que não sabe muito bem o que fazer e permite que o filho abandone a escola impondo uma condição: que eles assistam juntos 3 filmes por semana indicados pelo pai.
Essa experiência real resultou no Clube do Filme, ótimo livro lançado pela editora Intrínseca. O autor canadense David Gilmour relatou essa vivência com o filho e abordou assuntos que interessam não só os amantes da 7ª arte.

Os filmes escolhidos são bárbaros, muitos conhecidos do grande público, outros nem tanto. David não estabeleceu um critério de seleção, mas levava em conta o interesse do filho por determinados temas ou um sentimento do momento, quando por exemplo o jovem estava sofrendo por terminar com uma namorada e o pai poupou cenas românticas e criou um módulo só de terror.
Antes de cada sessão o autor faz um relato breve explicando a história do filme ou do diretor, pede atenção em determinada cena ou conta alguma curiosidade sobre a película exibida e depois faz a pergunta final: E aí o que você achou? Muitas vezes a opinião do filho desapontava e eu acho que esse fator foi bastante positivo para a história toda, pois promovia a discussão e o debate sobre os personagens, roteiro e direção.

Esse período de sabatina do cinema aproximou bastante Gilmour do filho e criou uma relação de confiança entre os dois que passaram a compartilhar experiências, ideias e vivência. É interessante perceber a visão do pai sobre o futuro do filho, o medo de ter tomado uma decisão errada que transforme seu descendente em um marginal ou mesmo os conselhos que ele dá quando o garoto tem uma decepção amorosa. Esse relacionamento é bastante admirável e penso que muitos gostariam de ter o ombro amigo do pai e ouvir suas experiências e frustrações naqueles momentos em que parece que nada mais vai dar certo.

Ah, não percam as Cineopses que Gilmour oferece sobre clássicos e atuações, a meu ver são verdadeiras aulas e prepare-se pois você vai ler muito sobre Clint Eastwood, Hitchcock, Jack Nicholson, Sharon Stone, Woody Allen, Marlon Brando, Tarantino, Scorsese, Mastroianni e por aí vai.

Super indico o livro, que em uma visão de menina pode ser traduzido como o Clube da Luluzinha Masculino. Tenho certeza que assim como eu, o leitor que gosta de falar sobre cinema e coisas da vida vai “consumir” o book em pouquíssimas horas.

18 de julho de 2009

Histórias que geram histórias

Eu sempre gostei muito de histórias, sempre mesmo. Gosto de ouvir histórias, ler histórias, ver histórias, enfim, só não me arrisco a escrevê-las (não ainda). Se me perguntarem qual meu tipo de história predileto eu acho que não saberia responder. Eu sou de lua na verdade, tenho fases de comédias, de suspense, de dramas, romances (principalmente aqueles que, depois de terminado,você tem vontade de cortar os pulsos com uma faquinha de rocambole rs). Mas voltando, antes de eu descobrir a essencial diferença entre roteiro original e adaptado, eu viajava imaginando como alguém criava aquelas histórias que tanto me emocionavam. Adaptar também é uma arte, não me entendam mal hein.

Enfim,ao longo dos anos você separa seus escritores/roteiristas prediletos, compra livros ou filmes sem nem saber a história, já confiando que seu querido escritor/roteirista fez um ótimo trabalho.Eu também tenho a minha lista de prediletos, mas hoje, cito apenas uma pessoa, que na minha opinião, escreveu as melhores histórias, os melhores diálogos, criou os melhores personagens do mundo: Jane Austen. Tá bem, tá bem, eu já disse isso aqui, que sou fã declarada dela, mas o que posso fazer?? A gente não controla isso né.

Eu me apaixonei pela Jane aos 15 anos, quando li pela primeira (das 200) vezes o romance Orgulho e Preconceito. Quem se interessar em saber o quanto gosto desse livro, veja no arquivo Dezembro de 2007. Depois daí eu iniciei uma busca frenética por tudo o que fosse escrito por ela, descobrindo inclusive, que foram 6 livros apenas. Li todos, comprei todos e o que mais gosto é esse mesmo.

Eu sempre achei que ela tivesse vivido um grande amor e sido feliz pra sempre. Afinal ela fala e descreve esse sentimento como poucos. Dias atrás me interessei por um filme de nome "Amor e Inocência" (Becoming Jane, 2007). Confesso que a tradução é bem pobre, se fizermos ao pé da letra faz até mais sentido, seria algo como "tornando-se Jane". Seguindo. O filme relata como a escritora inglesa criou seu romance de maior sucesso, qual foi sua inspiração.

Jane Austen (Anne Hathaway) se parece muito com a personagem Elizabeth Bennet, altiva, se recusavaa seguir as regras, espírito independente e tudo o que já sabemos. Queria mesmo escrever e viver disso, coisa inaceitável em sua época. Um belo dia, se apaixona pelo advogado Tom Lefroy (James McAvoy) , sagaz, irônico, interessante e ... nunca ficou com ela.

Coitadinhos eles se amavam, tinham tudo para dar certo mas as benditas conveniências sociais acabam com tudo. O filme é a biografia dela, e depois a gente entende porque ela sempre foi tão crítica em relação à sociedade e porque suas histórias são tão recheadas de detalhes. Ai gente eu adoro, desculpem não tem como não me derreter.

Conhecemos quem foi esse homem que mexeu tanto com ela, e segundo o filme, deixou-a solteira pelo resto a vida. Após se tornar uma escritora conhecida e admirada, seu coração ainda pertencia ao advogado. O que mais me dói é saber que ela teve sim um grande amor, e viveu com ele, só pra si mesma. E mais triste ainda é saber que foi real, ninguém inventou , alguém viveu isso.

A história deles gerou outras grandes histórias. Se lermos seus livros, veremos que há uma pouco de Lizzie e Mr. Darcy em todos seus protagonistas.
É um filme que conta a história de quem, com maestria e sentimento, criou histórias.

Adivinhem?? Eu indico é claro! Indico não, super indico! Indico mais ainda pra quem gosta de Jane Austen, pra esses sim, o filme tem mais sentido e não é apenas mais uma história de heroínas românticas.

Vejam e me contem depois.Como disse, a-do-ro histórias!

beijos

12 de julho de 2009

Sozinha, sozinha...

Transcrição fiel de um papo que tive com uma grande amiga minha na sexta-feira:
- E aí, como você está meu bem?
- Sozinha, sozinha. Pelo menos ainda tenho o twitter, e você?
- Sozinha, sozinha e, ainda por cima, sem twitter. Não consigo atualizar aquilo com frequência.

Uma semana antes dessa conversa fui ao cinema ver o novo filme da Emma Thompson (sou fã dessa inglesa) e andava matutando como colocaria isso no blog não apenas em forma de sinopse, nossa proposta no Cineopse nunca foi essa, mas trazendo para aquele roteiro, pitadas da nossa realidade.
Já aviso que o filme foi classificado por muitos veículos como “doce”, “açucarado” e até mesmo “gostoso”. Portanto, se você não é adepto desse tipo de história, a gente se vê em outro texto.

O longa “Tinha que ser você” (Last chance Harvey ,Reino Unido/EUA 2008), gira em torno da vida de Harvey Shine (Dustin Hoffman), músico americano decadente que ganha a vida fazendo jingles para propagandas. O cara vive sob a pressão de poder perder seu emprego para seu assistente, que é mais jovem, suporta o desprezo da filha e da ex-mulher além de ter a consciência de que é totalmente substituível na vida delas. Pior que isso, ele nem sabe quando isso aconteceu e nem onde ele deixou de existir pra elas. Do outro lado do oceano, na fria Londres, temos a Kate Walker (Emma Thompson) que trabalha fazendo pesquisas no aeroporto, parando as pessoas e fazendo a cruel pergunta “o senhor teria um tempinho?”, é solteira e ainda vive às voltas com a mãe que insiste em lhe arrumar um parceiro além de pensar que seu vizinho é um psicopata polonês. Enfim, a vida da moça não é nada fácil.

O moço Harvey recebe o convite de casamento de sua filha e vai até Londres para a festa. Não sei como, mas ele ainda é um cara bem-humorado, ou pelo menos finge ser né. Ao contrário de Kate que é completamente cética e não acredita mesmo em nada que tenha a ver com relacionamentos. No fim você descobre que é mais uma forma de se proteger do que característica mesmo. Ok, voltando. De um jeito bem incomum os dois se encontram e inicia-se uma gostosa conversa e consequentemente, a afinidade. Eu não vou contar o resto, paro por aqui. O filme seria outra historinha estilo cinema em casa não fosse pela atuação desses dois monstros do cinema. Uma história de amor maduro, outro olhar sobre os dramas, as angústias e as dores da nossa eterna busca por ele, o amor.

Imagine você, com mais de 50 aninhos, já sem aqueles sonhos românticos e aquele pique pra sair para a caça? Sendo sempre apontada pelas amigas como a largada. Você é aquela pra quem todos sempre querem apresentar alguém, afinal não custa nada dar uma mãozinha né. Você é bonita, simpática, inteligente, interessante e ...sozinha! Por quê???? E você nem precisa ter 50 pra viver isso, infelizmente cada vez mais cedo isso acontece com homens e mulheres do mundo inteiro. Quando eu disse que os dois protagonistas fazem a história valer muito a pena, é porque os sentimentos são transmitidos pelo olhar deles. Todas as experiências de amores passados por vezes não são suficientes para nos fazer tomar vergonha na cara e aprender a se controlar. Quando menos se espera lá estamos nós, dando outra chance pra ele.

Me lembrei desse filme na sexta ao conversar com minha amiga e me entristeci ao me dar conta que eu faço parte de uma geração que nem tem toda a experiência de vida ou tempo de estrada da Kate mas já estão descrentes. E não é drama nem pessimismo. É só sentar com uma turma e você vai ver que o que digo é verdade. A gente não segue adiante porque já sabe no que vai dar, e são poucas as vezes que erramos. Geralmente aquela vozinha que grita CUIDADO! Está certa.

Eu confesso que até chorei em determinada parte do filme, quando o Harvey vai até a Kate pra se declarar e blá blá blá e ela já termina tudo ali por medo. E a frase é justamente essa “eu não sou nenhuma menininha pra me iludir, já sei onde isso vai dar”. Triste, mas verdadeiro. Cinema é cinema e por isso por mais que os roteiros se assemelhem às nossas histórias, nossos finais são bem mais trágicos. E assim é a vida, a gente nasce, aprende a se comunicar, se identifica com uma turma, se apaixona e ficamos assim, sozinhos, sozinhos. Com ou sem twitter a coisa é complicada. É uma lógica que realmente, eu não entendo. Se a questão é proporção tem alguma coisa errada aí. Pra uns é muito fácil, se troca de companhia como quem troca de meias. Pra outros simplesmente isso não existe. O setor amoroso anda tão parado que é perigoso criar dengue. Será que a gente anda muito exigente? Ou será que os efeitos da guerra e do Titanic estão fazendo diferença agora? Afinal milhares de homens morreram nas guerras e quando o navio afundou, mulheres e crianças tiveram prioridade e lá se foram os homens pro fundo do mar. Acho que é mais difícil para as mulheres, afinal estamos em maior número.

A verdade é que dificilmente em uma situação dolorosa da sua vida você vai encontrar alguém especial. Isso só acontece mesmo com o Harvey e a Kate. Nós ficamos por aqui, sem saber se acreditamos e seguimos em frente ou desistimos disso e seguimos em frente.

Ah, vejam o filme. Como já disseram é uma delícia.

beijos


29 de junho de 2009

Cinema brasileiro bem visível

Tudo bem que de invisível a Luana Piovani não tem nada né. Aliás, não dá pra ser invisível linda daquele jeito, mas isso são outros quinhentos. Vocês não imaginam a alegria que eu sinto em ver uma produção nacional tão bem aceita por aqui. Ah, antes que eu me esqueça o longa em questão é o ótimo " A mulher invisível" (A mulher invisível, Brasil 2009). É claro que só por ter o Selton Mello no elenco o filme já vale , ao menos pra mim que sou fã, mas além disso a história é boa, as músicas são bárbaras e as atuações deliciosas.

A história a gente conhece bem, um cara achava que tinha uma vida ótima ao lado da mulher (Maria Luísa Mendonça) até ganhar um chapéu de touro dela e de brinde um pé na bunda. O coitadinho do Pedro (Selton Mello), romântico incurável entra numa deprê federal , três meses em casa no escuro , jogado para o deleite das traças apesar dos protestos de seu amigo galinha Carlos (Vladimir Brichita). Do outro lado da parede, sua vizinha Vitória (Maria Manoella) acompanha atentamente todos os ruídos do apartamento de Pedro , usando um copo na parede!!! A mulher é casada com um troglodita e sonha com o vizinho romântico do apê ao lado.

Enfim, quando tudo parecia sem jeito eis que uma gentil vizinha bate à porta de Pedro para pedir aquela xícara de açúcar. Tudo bem , se a vizinha não fosse Amanda (Luana Piovani). Linda, bem humorada, adora futebol, compreensiva, atenciosa e tudo o mais que você puder achar de adjetivos. Eles se apaixonam (sério???) e começam a viver uma linda história de amor. Perfeito não fosse por um detalhe: Amanda é fruto da cabeça de Pedro. Ela não existe! Junte isso à ótimas atuações, doses generosas de comédia e uma trilha sensacional e você vai ter uma comédia romântica brasileira de primeiríssima qualidade.

É muito legal ver como , apesar das piadas, a situação do Pedro nem é tão distante da realidade. Quem aí nunca sonhou com "o cara" ou a "mina" perfeitos? Que goste até daquelas suas manias mais absurdas e acha um charminho seu gosto por música brega!? Que te faz sentir intelectual por ler livros de autores impronunciáveis e autêntico por saber as coreografias do Sidney Magal completas! Vai pode assumir, isso é brilhante!!

Mais legal ainda foi ver que nem a mulher perfeita foi suficiente pra acalmar nosso protagonista. Isso porque, já disse uma querida leitora do Cineopse, "em nossa vida, tudo o que é perfeito é feio" cha-to!! Imaginem só! Nenhuma briguinha de vez em quando! Aquelas boas de se fazer as pazes depois!

A coisa vai que vai até que o Pedro volta pra realidade. Complicada, nem tão atenciosa muito menos compreensiva, mas a realidade né. Aquela que faz a gente acordar todas as manhãs pensando que dança vai ter que dançar hoje. Que papel eu vou ter que interpretar nesse dia. No fim, é isso que que impulsiona a vida. O desafio, a novidade, o perigo e o risco de ,de repente, esbarrarmos na pessoa perfeita. No homem invisível. Na mulher "Piovani".

Quem não viu ainda, corra pra ver. Quem já viu comente aqui!

beijos visíveis e estalados!






26 de junho de 2009

O Cineopse está em luto pela morte do Michael Jackson!


Ontem, recebemos com muita tristeza a notícia de que o Rei do Pop se foi.
Sentimos muito pela perda de um ARTISTA do porte dele, que cantava, dançava, interpretava, produzia e tinha lá suas excentricidades que davam um certo mistério sobre a sua pessoa.
Com sua música e carisma, Michael conquistou o mundo e quebrou alguns paradigmas raciais da época.
As meninas do Cineopse, que já dançaram muito ao som do cara prestam essa singela homenagem ao rei que nunca será esquecido. Ao cantor que inspirou multidões, que criou o "pop" que conhecemos hoje, que foi citado em diversos filmes e teve suas coreografias invejadas e copiadas por muitos (inclusive por nós, meninas do Cineopse).
A Leila afirma veementemente que ele não morreu, na verdade está em férias na casa do Elvis. O Michael entrou para a galeria dos "imorríveis".


25 de junho de 2009

Yes, Yes, Yesssssssssssss

Gente, eu preciso compartilhar.
Recentemente, enquanto viajava de avião, assisti um filme naquela telinha micro que tem no banco do passageiro da frente. Eis que estava sem áudio e com legenda em inglês. Mas como tinha um fator interessante, que conto logo mais, euzinha aqui resolvi assistir tudinho e gargalhar em alto e bom som (mesmo sem o som). Ah, tem um fator importante, não tenho mega master fluência em inglês, logo concluí que a comédia era realmente engraçada e o fator decisivo para que eu a assistisse era o personagem principal: Jim Carrey.

Tenho que assumir que sou fã dele e sei que é um clichê assistir comédias americanas do Jim Carrey, que faz caras e bocas all the time, mas pra mim ele já provou que é bom ator (daqueles que cantam, dançam sapateiam e ainda fazem suspense e drama). O filme em questão é Sim Senhor (Yes Man / EUA-Austrália/ 2008/ Peyton Reed) e ontem eu o aluguei para assisti-lo “de verdade”.

Jim Carrey faz o papel de Carl Allen, um cara meio desiludido e chato, divorciado de um matrimônio que durou 6 meses, tem um emprego em um banco naquele estilo corporativo ao extremo, vive locando filmes e ignorando chamadas dos amigos no celular, só pra não ter que falar com ninguém.

Eis que um amigo o convida para um tipo de culto de auto-ajuda, que tem como filosofia dizer SIM para tudo que aconteça ou te ofereçam. Carl participa desse evento e passa a dizer SIM a tudo, sem exceção. Pausa para observação: a cena em que ele está nesse encontro do SIM, é muito boa, o ator consegue transmitir muito bem aquela sensação que temos quando vamos a um lugar e não sabemos muito bem o que estamos fazendo ali, uma mistura de vergonha com quero ir embora agora.

Ao adotar a filosofia, a vida de Carl começa a mudar completamente e ele faz coisas que antes do SIM seriam impensáveis, como dar carona a um mendigo, aula de violão, de coreano, é promovido no trabalho, salta de bungee jump, organiza um chá de cozinha, conhece uma bela garota por quem se apaixona, a Allison (Zooey Deschanel), e por aí vai. Pausa para observação dois: O que é aquele chefe dele? O cara é o mais nerd de todos, chega a ser dolorido de tão cômico. Eu tive vergonha alheia em toda cena que o cara aparecia.

Com o passar do tempo, Carl percebe que dizer sim a tudo é um pouco cansativo e pode até ser prejudicial para sua vida e precisa sofrer um pouco para descobrir que o equilíbrio é o que faz a diferença.

Tem um outro momento que é ridículo, quando o casal - ah tinha esquecido de comentar, ele e a Allison fazem par romântico - os dois entram no aeroporto e compram passagem para o primeiro voo que está saindo, no caso era para o estado americano de Nebraska. O lugar parece uma cidade do interior e eles conseguem se divertir com tudo, como um passeio ao museu do telefone, uma visita em uma avícola, e até participam da torcida de um time vestidos e pintados de forma engraçada demais (repare na foto deste post). Quando disse que a cena é ridícula, não é pelo lado negativo, pelo contrário, mostra muito bem que quando queremos podemos transformar as coisas banais em legais e engraçadas. É aquela coisa de saber rir de si mesmo.

O interessante é perceber como uma simples mudança de atitude pode fazer com que as coisas melhorem na vida de uma pessoa. É óbvio que ninguém vai sair por aí dizendo YES para tudo e todos, ainda temos um pouco de noção, mas acredito que o simples fato de olhar a vida de uma forma um pouco mais positiva pode ajudar e abrir muitas portas. Ainda quero fazer um teste, calma pessoal, não vou dizer SIM a tudo - mesmo porque, morando em São Paulo, eu teria que andar com no mínimo R$100 na carteira para distribuir aos inúmeros pedintes da cidade diariamente -, mas sei lá, vou pelo menos anotar quantos “sim e não” eu digo em um dia e tentar fazer um balanço. Será que se a maioria das respostas fossem positivas de fato coisas boas aconteceriam? Ou o que importa mesmo é a maneira como encaramos a vida?
Ainda não sei, algum leitor se habilita a fazer o teste?

A propósito, o filme tem um fato curioso, é baseado em um livro de Danny Wallace, um jornalista e produtor britânico que respondeu sim a toda e qualquer questão ou proposta que lhe foi feita durante seis meses, essa experiência virou livro. Peço que se algum frequentador desse espaço já tenha lido a história, compartilhe as impressões conosco.

É isso aí pessoal, vamos ser mais YES!
Bjos,
Bruna

Nossa, tinha até me esquecido como era demorado escrever um post, *rs.