5 de junho de 2015

O amor segundo Spike Jonze

Cara... na toada e que estamos, você já parou para pensar como serão os relacionamentos daqui para frente? O Spike Jonze já! E é desse cara que a gente vai falar :)

Os que me cercam sabem que eu simplesmente caí de amores pelo filme ELA (Her, EUA, 2013), que concorreu ao careca no ano passado. Eu fiz questão de falar tanto desse filme que a turma até enjoou um pouco. Mas enfim, a temática principal desta lindeza dirigida por Spike Jonze era uma visão de como seria o relacionamento no futuro. Que já não é mais tão futuro assim, algumas coisas já dão indícios de início imediato.

Eu não sabia, mas, antes de ELA, nosso digníssimo diretor produziu um curta em parceria com a Absolut (sim, ela mesma) também sobre essa temática. E vos digo caros colegas: uma delicadeza sem tamanho. São 30 minutos de poesia e indagações pertinentes.

Em um tempo que não sei dizer se próximo, distante ou logo ali, Sheldon (Andrew Garfield) é um robô bibliotecário pacato, que vive em uma sociedade onde humanos e robôs convivem, mas, aos robôs estão destinados os trabalhos “menos nobres”  desprezados pelos homens. A vida segue boa para Sheldon, ele aceita essa situação e vai tocando o barco solitário, recluso e conformado. Este é o cenário de I´m Here (EUA, 2010).

Tudo vai bem até que ele conhece Francesca (Sienna Guillory), uma robô altiva, espevitada e cheia de amor pela vida. Pronto, nem preciso dizer que rolou o amor e a vida do moço virou de pernas para o ar, mas no bom sentido. O que faltava de vivacidade em Sheldon sobrava em Francesca e, logo, a atração e a maneira como se completavam foi incontrolável.

É legal reparar em alguns pontos que o curta toca. A realidade de Sheldon é monocromática, sem vida, sem decoração. Sua casa, branca, sem móveis, apenas um carregador de baterias que usa para recobrar as energias todas as noites. Já o ambiente de Francesca é barulhento, cheio de gente, musical, agitado. E os dois vivem na mesma sociedade e são alvo dos mesmos preconceitos.

Jonze traz por meio dos robôs seu olhar sobre temas como exclusão, aceitação e relacionamentos (óbvio).  A história deles de certa forma critica a “automatização” dos relacionamentos de hoje, a frieza que impera e a rapidez das dissoluções entre a gente. Tudo ao alcance de um clique. Viu, não respondeu, está fora. É assim agora. E não estou falando apenas de relacionamento amoroso tá.

O relacionamento não convencional dos dois, desperta inveja e revolta em alguns humanos.  E a grande questão é: até que ponto a gente é capaz e deve se doar em prol do outro? Ou até que ponto o outro tem direito de nos pedir esta doação? Ou ainda, o ato de doar-se vem imbuído do quê?

Acho que uma discussão bacana, e de certa forma uma crítica também, é de como perdemos a noção do limite quando nos apaixonamos. E será que isso acontece pela paixão simplesmente ou essa ânsia de agradar e bastar ao outro esconde uma insegurança latente em nós? Talvez Bauman soubesse responder.... eu não sei. Mesmo.

Quando eu digo que o curta é de uma delicadeza emocionante, é por ela ser sentida na fotografia, cenário, trilha, roteiro.... todo o ambiente do filme conta a história e espelha a nossa sociedade também.

A verdade é que não existe fórmula né. Quando acontece não tem como escapar. Mas por vezes é bom refletir sobre como “perdemos” a mão pra dar lugar ao outro. Talvez os gestos de Sheldon tenham mesmo sido altruístas e genuínos. Mas vocês devem saber de casos em que essa doação é mais uma forma de acorrentar o outro.

Spike Jonze realmente sabe como poucos discutir as relações humanas. É mais uma obra que ajuda a gente a reavaliar algumas coisas e lembrar-se do que, e principalmente de quem, é importante. Há coisas que definitivamente não foram criadas para serem automatizadas.


Neste ponto eu concordo com o Spike. E você?
beijo!

10 de maio de 2015

Unbreakable Kimmy Schmidt

 "A vida começa quando o mundo não acaba" Com esse mote a série Unbreakable Kimmy Schmidt chegou timidamente ao Netflix. E olha que o Netflix agora está na crista da onda. Não bastasse o espaço que ele vinha ganhando com Orange is the New Black e House of Cards, os caras acabam com a minha já inexistente vida social com o lançamento do Demolidor e promessa de outras quatro séries dos integrantes dos Defensores. Mas não é disso que eu vim falar, me empolguei :)

Dizia eu que Unbreakable chegou timidamente ao circuito e já no primeiro episódio deixa bem claro que os outros 12 serão deliciosamente fantásticos. Kimmy (Ellie Kemper) ficou 15 anos em um bunker ouvindo de um reverendo (que inclusive a sequestrou) que o mundo havia acabado. 15 anos na companhia de outras três mulheres, acreditando que eram as únicas sobreviventes do apocalipse. Um dia um esquadrão policial as encontra e qual não foi a surpresa da moça Kimmy ao descobrir que não só o mundo não havia terminado como estava superpopuloso!

A partir daí a gente acompanha esta pessoa tentando voltar aos trilhos. Afinal ela se recusa a viver da fama de "mulher toupeira", dada à elas pela imprensa, e decide ir atrás dos seus sonhos. Arranja um emprego, descola um melhor amigo gay e vai à luta. É uma situação mais fantástica que a outra. Imagine voltar em um mundo onde tudo é fotográfico, a língua praticamente já não é a mesma (ah neologismo!) e boa vontade parece ser uma condição genética rara.

A série é de Tina Fey e só vendo pra ter certeza de quanto a Tina faz falta na telinha. Meu Deus do céu! O elenco é praticamente o de 30 Rock e aquela dose de exagero dos personagens dá a cara de Tina ao seriado.

Mas não pense que é mais uma história com personagens caricatos. O caricaturismo aqui é o feitiço da coisa toda. Guarde bem esse nome: Titus Andromedon. Esse é o cara que TODO mundo merece ter como amigo. Eu juro que ri tanto, mas tanto dele que só de lembrar quero virar do avesso de vontade de rir novamente.

Os temas? Otimismo, força de vontade, coragem, passando por família, amizade, preconceito, manipulação e por aí vai. A Tina até dá uma canja como a advogada de Kimmy contra o reverendo, que eu não vou contar quem é mas está impagável!

E Jaqueline Vorhees (Jane Krakowski)? A madame para quem a Kimmy vai trabalhar... a princípio mais uma socialite rasa mas com o tempo a gente vai descobrindo quem ela realmente é. Óbvio que ela continua brilhantemente insana mas você aprende a amá-la.

Em suma, Unbreakable vem suprir uma lacuna na grade de seriados, que deixou os órfãos de The Office, 30rd Rock e Parks and Recreation se perguntando quando uma nova comédia sagaz viria.

Não é um seriado de autoajuda. Não se trata de mostrar como é possível dar a volta por cima e acreditar e blá blá blá. Trata-se de um roteiro muito bem escrito, atuações inspiradas e garantia de boníssimos momentos. Em outras palavras, imperdível!

Ela veio. Arrasou e já garantiu a segunda temporada. 
Que chegue logo!

9 de abril de 2015

Wes, o cara.

Alô criançada, demorou (e muito) mas voltei :)

E voltei pra falar dele, o cara mais legal do cinema hoje em dia :Wes Anderson.
Essa semana eu falei bastante dele. Hora por me perguntarem quem eram meus diretores prediletos, hora por quererem a minha humilde opinião sobre "O Grande Hotel Budapeste" ou simplesmente por tentar explicar a razão pela qual eu gosto dele.

E quer saber? São várias! Ele é o cara mais legal por trás das câmeras hoje. Cara de moleque mas já na casa dos 40. Jeito de quem se diverte fazendo cinema. Criador de um mundo mágico que a gente não acha infantil ou bobo. Em suma o cara é brilhante.

E vou além, você também quer ser amigo dele. Vai me dizer que não?

Afinal, na cabeça desse cara rola um mundo do qual todo mundo quer fazer parte. Vide a quantidade de "gente grande" que participa dos filmes dele em papéis ridículos e curte pra caramba.

Ele trouxe novos ares à carreira de Bill Murray. Bill deixou pra trás filmes tolos com papéis de comédia rasos pra se tornar um cara com jeitão irreverente e aquele ator "cool" que endossa qualquer filme hoje. Tipo garantia Bill Murray de qualidade. Se tem ele, deve ser bom. Quer dizer, se tem ele a partir de 1998, é legal.

A condução das fantasias é tão perfeita que não cai no ridículo. A gente acredita que existem mesmo. E os personagens caricatos que caem tão bem que eu chego a pensar que gente assim existe mesmo. E não confunda caricato com ridículo hein.

É tipo o cara mais bacana da escola. Ele formou um grupo para os trabalhos que é inseparável. Vez ou outra entra um aluno novo mas a base é sempre a mesma. Uma gang de bacanas. Preste atenção, dê uma olhada nos oito longas do cara e me fala quem são as figurinhas repetidas.

Ah então ele é tipo Tim Burton? Não!! Ele já passou dessa fase. Há o universo Burton, inconfundível, e paralelo à ele existe a dimensão Anderson, igualmente fascinante.

E isso é só o que eu acho. Vai perguntar pra quem manja dos paranauê pra ver que o cara é bom mesmo. Juro! Vendo a cerimônia do Oscar eu queria muito dar um tapinha nas costas dele e dizer" Wes, quer ser meu amigo?" :)

Ainda assim não se convenceu de que ele é bom? Então pega essa última justificativa: Wes Anderson conseguiu a faceta de tornar Gwyneth Paltrow agradável em um papel. Você quase não acredita que é ela, encarnando uma criatura do fabuloso mundo de Anderson. É ou não um feito histórico?

Bateu aquela vontade de ver um filme gostoso, que dê prazer, que te deixe com a a sensação de "gostei mas não sei dizer exatamente do que" por que você curtiu tudo? Então  pode ver qualquer, eu disse, qualquer obra desse cara. Indico sem medo algum.

Faça assim, veja qualquer filme dele, qualquer mesmo, e depois me fala.

beijo