14 de outubro de 2009

Deixa ela entrar

Eu juro que por tudo que já havia lido sobre a produção sueca Deixa ela entrar (Låt Den Rätte Komma In/ Let the Right One in, 2008) eu confesso que, como tontinha que sou, achei que fosse sair de lá aos berros e morrendo de medo. Afinal só no cartaz a gente já lê coisas do tipo "o melhor filme sobre vampiros de todos os tempos" ou " assustador" e por aí vai. O gênero foi classificado como terror mesmo e depois de ver, confesso à vocês fiéis leitores, que se trata de uma produção brilhante. Os mais conservadores que me desculpem mas acho que há muito tempo não se via um filme de terror tão sofisticado e ao mesmo tempo tenso e assustador como esse. O último que me lembro é O Bebê de Rosemary (do no nosso mais novo pedófilo Roman Polanski).
Deixa eu contar como é. O filme se passa em 1982, no subúrbio de Estocolmo. O foco é o menino Oskar (Kåre Hedebrant) um frágil e tímido garoto de 12 anos, que apanha dos colegas na escola, tem uma família desestruturada e não tem amigos. Passa o tempo livre sozinho imaginando como seria bacana se vingar dos panacas que o azucrinam na escola e outras coisas mais. Na paisagem super gelada da cidade, neve para todo o lado eis que ele conhece sua nova vizinha Eli (Lina Leandersson) que também tem 12 anos mas.... é uma vampira.

Oskar não sabe disso até certo momento do filme e a química entre eles é instantânea. Aí é que entra a delicadeza e o cuidado do diretor ao retratar essa relação fora do comum , digamos assim, sem se esquecer de que a nossa garotinha é chegada num sanguinho de vez em quando.
O terror fica mais na nossa expectativa e imaginação. Claro que há uns pulinhos na cadeira de vez em quando , mas nada de visceras pra um lado, tiros e água benta pro outro e por aí vai. A coisa é mais intensa, mas profunda e mexe mesmo com a gente. O filme não aborda apenas o estado vampírico da nossa amiguinha, há outros temas que são tocados de maneira sutil mas o espectador saca na hora. Por exemplo, uma coisa que me chamou muita atenção foi o fato da aceitação. Mesmo depois de presenciar a força que sua aparentemente frágil amiga possuía, de vê-la lambendo o sangue que caia de suas mãos, Oskar continuava encantado por Eli.

Eles se descobriram juntos, afinal ela já tinha 12 anos há muito tempo, e aprenderam a lidar com as questões universais da pré-adolescência juntos. Há um climinha de romance no ar (calma não pense que eu sou pervertida) mas os dois acabam se completando.
Ela encoraja Oskar a se impor, a levantar a cabeça e não levar desaforo pra casa enquanto ele lhe ensina coisas simples mas essesnciais para uma garota de 12 anos, como diálogos secretos por toques nas paredes, brincadeiras simples mas que faziam dos dois um complemento necessário um para o outro. Para mim a intenção do diretor não era mesmo assustar e sim fazer a turma refletir através de um gênero que, cá entre nós, não foi feito pra isso. Mas a coisa deu certo e eu finalmente entendi todos os elogios do cartaz. Vai ver a gente se assusta com o ser humano mesmo, aquela vampirinha tinha mais sentimentos que muita gente que eu conheço mas enfim, isso fica pra próxima.Fora isso ainda há o sacrifício pelo que se ama, a quebra de pré-conceitos; a conquista e mais uma diversidade de assuntos que são mostrados durante os 114 minutos de exibição

E não se engane achando que é mais uma produção pegando onda na febre dos vampiros. Nada disso, como eu disse antes, é algo mais sofisticado (e não tomem isso por chato hein!)

Confiram a produção e depois me contem. É de uma simplicidade e objetividade assustadoras.

beijinhos

3 comentários:

Jaspião disse...

Baita filme.
Muito bom o texto.
E tb entendi um pouco como um filme de amor. Infantil, sem maldade. Mas amorzinho, ue, rsrs!
Obrigado pela citacao ao contraregra, bens.

Beijo.

Bruna Bernordi disse...

Quero muito ver! Estou me sentindo uma loser por ainda não ter visto.
Dessa semana não passa e prometo voltar para comentar.

Belo texto Leiloca.

Bjo

Flavia disse...

Fiquei curiosa!
Vou assistir com certeza, depois passo pra deixar a opinião.