9 de setembro de 2009

É no Divã que as coisas acontecem


Vira e mexe entra em cartaz filmes que são direcionados ao público feminino. Na maioria das vezes é aquela coisa sobre adolescentes, universidade, primeira vez, decepção amorosa, mãe e filha, enfim, os leitores, principalmente as leitoras, sabem do que estou falando. Como minha sócia tem destacado bastante as produções nacionais achei que seria digno contribuir, ainda mais depois de ter a excelente surpresa ao assistir Divã (José Alvarenga/2009/Brasil).

O filme conta a história de Mercedes (Lília Cabral), uma mulher na casa dos 40 anos, casada, com dois filhos, que vive como uma cidadã comum da classe média. Em um belo dia ela resolve procurar um psicanalista e ao chegar no consultório do terapeuta nem sabe os motivos que a levaram até lá, até que quando começa a tagarelar não para mais e a partir disso as transformações em sua vida acontecem.

A personagem questiona o casamento, a realização profissional, a morte prematura da mãe, os cuidados do seu pai, e expõe inúmeros sentimentos que talvez ela nem tivesse conhecimento. O divã proporciona uma experiência única de autoconhecimento e Mercedes percebe que leva uma vida morna, e como diz uma amiga minha, água morna não serve nem pra fazer chá.

A jovem senhora de vida tradicional surpreende a todos – que inclusive a subestimavam por ser tão certinha -, e resolve se entregar aos prazeres, realizando suas vontades e desejos, traduzindo para o bom português, ela vai aproveitar a vida que nunca se permitiu aproveitar (a redundância é proposital)! Nessa mudança radical, Mercedes se apaixona por um rapaz mais novo, trai o marido, se separa, se decepciona por amor, vai em uma balada gay, muda o figurino, pede conselhos para a filha adolescente da amiga, corta o cabelo com a seguinte frase: - repica Rene, repica tudo (risos), entre outras loucuras.

Outro ponto importante no filme é o relacionamento dela com a amiga Monica. As duas são completamente diferentes no quesito personalidade e pretensões, mas mesmo assim são cúmplices e debatem diversos assuntos como sexo, casamento, realização, traição, etc. Monica é casada, vive em uma bela casa, tem filhos, é super ciumenta e vaidosa e afirma que a vida que leva é tudo o que sempre sonhou (casar e construir família). Já Mercedes não compreende como a amiga se contenta com isso e deixa a entender que falta outro tipo de realização para que uma mulher seja completa.

O filme não é composto só de cenas engraçadas. Em diversos momentos enquanto a Mercedes está no Divã, fica aquele clima sério no ar e ela toca naqueles assuntos que são casca de ferida para qualquer um, que só de pensar já bate uma deprê. Sem falar quando o foco da terapia passa a ser a superação de uma perda, garanto que rolam lágrimas.

Na minha opinião, ao assistir esse filme fica muito claro a importância de nos conhecermos melhor e de certa forma respeitarmos nossas vontades, acredito que assim a felicidade se torna uma busca mais fácil.

O elenco conta com José Mayer, Reynando Gianecchini, Cauã Reymond, além de excelente fotografia e trilha sonora. O filme já está disponível em DVD para venda e locação.

5 comentários:

Lelê Aracil disse...

é bom mesmo? Tive más recomendações sobre esse filme, mas assistiei e volto p dizer oq achei!


Capuccino Paulistano já está no ar!
http://capuccinopaulistano.blogspot.com/

Beijos

Bruna Bernordi disse...

Oi Lê,
eu gostei bastante do filme.
Acho que você já sabe que tudo começou em uma peça de teatro também encenada pela Lília Cabral, baseado em um romance da Martha Medeiros.
Eu assisti a peça há muito anos e na época fiquei apaixonada e emocionada.
Estava descrente do filme e nem esperava muita coisa, mas fiquei surpresa em como foi fiel ao texto original.
Recomendo mesmo!

Leila Ferraz disse...

sucesso sócia!
Eu vi esse filme e gostei também! A Lilia, na minha opinião, é uma das divas do nosso cinema. A mulher joga em todas as posições, filme, teatro, tv e o que vier pela frente!

Vale a pena conferir povo!

beijos

Robson disse...

Admito que tenho feito cara feia pra filmes nacionais, ainda mais qdo tem o dedo da Globo filmes, Daniel Filho e cia, mas que a produção nacional está em alta, ah isso tá.
Desejo que nossas opções sejam ainda melhores pros próximos anos.
Ainda não assisti ao filme Divã. Juro que vou me esforçar pra conferir, ainda mais depois dessa crítica deliciosa...

bjs!!!

Robson Ricardo disse...

Admito que tenho feito cara feia pra filmes nacionais, ainda mais qdo tem o dedo da Globo filmes, Daniel Filho e cia, mas que a produção nacional está em alta, ah isso tá.
Desejo que nossas opções sejam ainda melhores pros próximos anos.
Ainda não assisti ao filme Divã. Juro que vou me esforçar pra conferir, ainda mais depois dessa crítica deliciosa...

bjs!!!