8 de dezembro de 2010

Meu caso com o cinema

Engraçado como a gente desenvolve laços com as coisas das quais gostamos né. Alguns hobbies são tão especiais que a gente dedica tempo, dinheiro, noites a fio pelo simples prazer de aprender sobre eles, melhorar, conhecer tudo o que há para saber.

Na semana passada eu fui ver o novo longa do Harry Potter (vai ganhar um post depois, pode crer). Cheguei no trabalho contando pra turma sobre o filme e blá blá blá mas comecei a pensar numa coisa. O HP é meu amigo. Eu vi esse menino crescer, acompanhei tudo a gente se conhece mesmo. Esse é um dos casos sobre dedicação que culmina em intimidade. Meu gosto pela telona é tanto, que toda a turma que faz parte dela, todo mundo que colabora para os sempre tão agradáveis momentos que passo diante dela, é parte da minha vida.

É que a gente cresce, assume novas responsabilidades e acaba priorizando outras coisas que nem sempre são tão prazerosas né. Já tive épocas em que minha vida era ler sobre cinema. Acompanhava tudo quanto era making off de filme que conseguia, palestras gratuitas (já cheguei a pagar também pq não?), livros, folhetos, almanaques, papel de bala, enfim, tudo o que pudesse me ensinar alguma coisa sobre a sétima arte.

Talvez hoje o meu tempo seja mais escasso mas o interesse com certeza é o mesmo. Eu choro quando o cinema perde alguém. Eu perco alguém também. Afinal já sonhei com atores, invejei atrizes, amei vestidos, curti músicas, me impressionei com cenários e fotografias, decorei diálogos e muito mais.

É claro que não gosto só de cinema, outras coisas também me atraem. Mas meu caso com ele é diferente, a gente se completa. Ele me seduz, me encanta, desperta em mim algumas coisas que só ele consegue. Já vivi momentos lindos naquela sala. Já chorei, senti medo, cantei, botei a cuca pra funcionar e viajei mesmo.

Eu confesso que sou bem tradicional com o ritual. Eu alugo filmes, empresto, baixo compro ,enfim, tudo o que puder para ver, mas nada substitui o prazer de ir ao cinema. Toda a emoção começa no guichê, tem um clima bom. Pegar a fila, procurar sua sala, torcer pra que haja um lugar bacana e que nenhum tagarela sem noção sente ao seu lado. Olhar pro lado pra ver se ninguém está te vendo chorar, segurar o riso pra não dar vexame, controlar a mordida pra não fazer barulho com a pipoca, desenrolar em doses homeopáticas a bala pra não atrapalhar ninguém, passar a sessão inteira com o saquinho de pipoca vazio sem amassar pra não ouvir vários "shhhh".... tudo isso é cinema!

Passar um ano lendo sobre um longa e esperar impaciente pela estreia é impagável! Tem coisas que definem você, no meu caso cinema é com certeza uma delas. Já fiz amizade com a galera da bilheteria de alguns cinemas na cidade. Já tenho minhas salas do coração também. Já fui uma semana inteira ver o mesmo filme, mudando de guichê pra mocinha não me reconhecer e achar que sou louca.

Mas eu não sou louca, eu gosto. Eu amo esse tal de cinema. Minhas experiências pessoais se confundem com as cenas que assisti. Já me perdi não tem mais jeito, o caminho é sem volta. Não tem mais rehab pra mim. Me arrisco a dizer que nesse vício eu faço questão de afundar.

E você, quer uma dose?? Tenho uns "baguio" da hora hein rs.

beijo

28 de novembro de 2010

RED - Aposentados e Perigosos

Panela "véia" é que faz comida boa já diziam os violeiros de plantão. Verdade, muito verdade. Diversão do início ao fim. Esse é RED - Aposentados e Perigosos (Red, 2010) que traz como protagonista Bruce Willis. Frank Moses (Bruce Willis) é um agente aposentado da CIA que leva uma vida sossegada, seguindo uma rotina meticulosamente definida e curtindo um namorico via telefone com a mocinha do seguro, a ótima Mary-Louise Parker.

Um belo dia nosso charmosão (e bota charmosão nisso minha gente) protagonista é surpreendido por assassinos em sua casa. A partir daí tem início uma caçada implacável desses agentes por Frank Moses. A ordem? Acabem logo com ele.

Entre tentar descobrir quem está port trás dessa ordem e a razão pela qual ele é o alvo, Frank vai atrás de seu antigo time dos tempos da CIA. Morgan Freeman, John Malkovich (hilário) e Helen Mirren (lindíssima) voltam ao campo depois de muitos anos para sentir a adrenalina e evitar que eles mesmso sejam mortos, já que também estão na lista da CIA.

O que se tem são situações hilárias e até mesmo absurdas. Se o intuito é diversão essa é a pedida certa, sem erro. O filme é a adaptação da HQ de Warren Ellis e Cully Hamner e tem tudo o que um filme de ação precisa ter: muitos tiros, perseguições, um time fantástico que lidera a ação e diálogos interessantes.

John Malkovich está sensacional como um agente neurótico que foi cobaia do governo por anos, Helen Mirren traz todo seu charme aristocrático para a matadora que hoje planta belas flores e Morgan Freeman diverte como o "velhinho" safado e quase imortal.

O longa ganha cara de história em quadrinhos por da estética fiel com cortes ágeis, enquadramentos elaborados e situações de ação que beiram o impossível.Com todo o elenco em excelente momento, o sarcasmo inteligente da produção tem direito a irônicas referências à era da Guerra Fria também. E o que quer dizer a sigla do filme? RED - Retired, extremely dangerous.

E, se mesmo assim cara colega (agora é de mulher pra mulher) ,você achar que não vale a pena o ingresso e que tiros são coisas de meninos, vou lhe dar um ótimo motivo para correr para a sala mais próxima e garantir seu lugar: Bruce Willis. Garanto que suspiros não faltarão pois o veterano careca está mais charmoso que nunca.

Não sei por que mas eu passei a maior parte do filme com calor... vai ver o ar estava com defeito né (rs!)

beijos.


20 de novembro de 2010

Atividade paranormal 2

Tem horas que eu me revolto com a síndrome da parte dois. Tem filmes que simplesmente não devem ter parte 2. não tem de onde tirar, não tem razão pra furar a história buscando ganchos pra sequência, não tem!! Não tem!!!!
Maldito capitalismo no mundo cinematográfico viu.

Enfim, semana passada tinha tudo pra dar certo. Cinema com amigos na expectativa de um filme de terror com sustos garantidos. Turma boa, cinema bom, só o filme não era. Atividade Paranormal 2 (Paranormal Activity 2, EUA 2010) já carrega no nome vários motivos pra gente ver, afinal o primeiro filme, de 2007, é incrível. Simples, mas assustador. Cumpre bem seu papel. Já o dois....

É como se fosse o início de tudo, tipo "onde tudo começou". Micah (Micah Sloat) e Katie (Katie Featherston) tentam ajudar a irmã dela que teve a casa assaltada. Nesse meio tempo descobrem que a casa ,na verdade, está assombrada por entidades malígnas. Câmera na mão e vamos descobrir a razão da bagunça. O filme se passa antes da morte de Micah (que foi no primeiro filme, se você não viu, me desculpe) e conta como a situação chegou ao ponte que chegou.

O problema é que o primeiro filme foi completo. Não havia nada deixado pra ser explicado numa sequência. O segundo busca ganchos estranhos pra justificar as ações. Na boa, não vi sentido algum para um segundo filme. Tem coisas mostradas lá que não me remeteram ao primeiro filme, fica a sensação de que criaram mistérios pra fazer o segundo filme ter sentido. E esses mistérios criados são estranhamente ligados ao primeiro longa, chega uma hora que tudo vira um bolo só e nada faz mais sentido.

Ou seja, toda a ótima sacada do primeiro perde a graça e é anulada pelo segundo longa. Se você não viu não perca tempo, é frustrante. Uma das graças do primeiro filme era se deixar levar pelo ambiente (câmera caseira, ambiente familiar) e levar vários sustos, viver a história do casal de verdade. No segundo os tempos já estão manjados, a lance da câmera que corre com o relógio já está óbvio e as várias tomadas seguidas onde nada acontece cansa o espectador.

É claro, você é pego de surpresa vez ou outra (afinal é um filme de terror) mas Atividade Paranormal 2, fica devendo aos fãs do primeiro filme. A apreensão é por conta da criança, que estrela o segundo longa. E só.

Enfim, se a intenção é se apavorar escolha outro título ou vá até a locadora mais próxima e pegue o longa de 2007. Na boa, se eu fosse o Oren Peli (diretor do primeiro filme) colocaria o nome de Tod Williams (do segundo) na boca do sapo.

beijos


26 de outubro de 2010

Aconteceu em Woodstock

Não. Não é mais um filme sobre o espírito livre do festival de Woodstock de 69. Não é mais um passeio colorido de câmera sobre um monte de gente sem camisa e cabeluda curtindo uma vibe positiva. Aqui, o festival em si é coadjuvante de uma história de descobertas pessoais.

Aconteceu em Woodstock (Taking Woodstock, 2009) do diretor taiwanês Ang Lee tem sua atenção voltada para Elliot Tiber (Demetri Martin), um jovem sem graça, todo certinho que desiste de um monte de coisas para cuidar de seus pais malucos, os ótimos Imelda Staunton e Henry Goodman.

A mãe é uma judia pão dura pra caramba que gerencia a pousada na pequena cidade de Bethel, que foi o lugar escolhido para abrigar o festival depois do local original ter recusado receber a galera. Enfim, o responsável pela reunião musical ,Michael Lang, recebe um telefonema do recatado Elliot oferecendo a cidade. Não preciso nem dizer que todos os moradores de lá foram contra, criticaram, ameaçaram e xingaram o rapaz por levar a esbórnia para sua pacata e tradicional cidade.

Na verdade, a família de Elliot estava sendo ameaçada de despejo e ele liga pra Lang e oferece hospedagem pra abrigar "u festival de música"... o mocinho nem tinha ideia do que se tratava tal evento.

Começam os preparativos e o nome mais falado do momento é o de Elliot. A partir daí, vemos as transformações que esse evento causou na vida do rapaz. Na verdade o filme nem fala do que Woodstock Music & Art Fair significou para a história em si. Como disse, a mudança aqui é pessoal, o festival foi um divisor de águas na vida desta família e principalmente, de Elliot.

Dica: Se você nem sabe do que se trata Woodstock nem precisa contar com o filme para aprender. Se você não manja muito desse pedacinho ilustre da história da humanidade, pegue carona neste delicioso longa e divirta-se. Garanto que revolta não vai rolar, ou frases do tipo "caracas, o cara viajou" ou " putz, acabaram com Woodstock".

Os momentos em que Ang Lee parece mergulhar na atmosfera dos anos 60 focam as transformações de Elliot, até então um jovem reprimido, a alguém consciente da capacidade de guiar a própria vida. Com ar lúdico, a câmera substitui o olhar do personagem e passamos a seguir o mundo com sua visão lisérgica. Ou seja: rola uma vontade louca de estar lá também.

O filme é baseado no livro Taking Woodstock: A True Story of a Riot, A Concert, and A Lifede Elliot Tiber e nele, você vai encontrar figurinhas conhecidas como Liev Schreiber, Emile Hirsch, Jeffrey Dean Morgan, Paul Dano, Eugene Levy. Maravilha Alberto! Esse pessoal deixa a impressão de que nasceu para esses papéis. Ang Lee fez caber numa pessoa só, o maior festival de rock de todos os tempos!

É isso! veja e permita-se viajar para Woodstock!
beijos

4 de outubro de 2010

Amor à distância

Tá, tá! todo mundo sabe que eu sou mesmo fã declarada de comédia romântica. Não tenho culpa simplesmente não consigo me conter. Mas mesmo eu assumo que a fórmula para que esses filmes agradem é a mesma: casalzinho ternura que se repele no início + amigos bacanas + uma trilha da hora e pronto! Já ganhou! Já ganhou! Ando meio atrasada com os posts, devo estar com bloqueio criativo rs

Ok, voltando. Dia desses fui ver Amor à distância (Going the distance,2010). Numa América que exalta os vencedores, os personagens do filme são “derrotados”. Erin (Drew Barrymore) já passou da idade de estar na universidade, mas ainda busca um estágio no The New York Sentinel enquanto Garrett (Justin Long) é caça-talento de uma gravadora. Trabalho legal, se ele não tivesse de gastar tanto tempo com bandas do tipo “os próximos Jonas Brothers". Um belo dia por capricho do destino os dois se encontram mas.... enfim depois de um momento mágico ela tem que voltar pra sua cidade natal pois o estágio no jornal venceu.

O mote do filme é o relacionamento à distância. Todos aqueles meios que você conhece (sms,msn, email, telefone) de tudo isso o casal usa e abusa pra manter contato. O bacana é que, diferente de outros filmes onde os personagens são ricos, lindos,bem-sucedidos e só lhes falta o amor, neste filme os protagonistas estão longe de serem tudo isso e ,ainda por cima lhes falta o amor.O longa fala de duas pessoas para as quais ainda falta muito. Ou seja, elas refletem os seres mortais que esbarramos pela vida, não os inalcançáveis de um certo tipo de cinema.

Os dois amigos de Garrett são memoráveis. Box (Jason Sudeikis) só se interessa pelas coroas, ao passo que seu melhor amigo Dan (Charlie Day, melhor atuação do filme) é o rude/escatológico que tenta todas as garotas, mas fica a ver navios. O filme faz diversas referências aos anos 80 (Top Gun, Bonnie Tyler, fliperamas) que pra que já está quase na casa dos 3.0 (não é meu caso viu rs) deixa uma pontinha de saudades também. Christina Applegate é a irmã protetora e hilária de Drew.

O legal é que até o fim do filme você não sabe ao certo o destino dos personagens, nada é estável e não fica aquela sensação de roteiro reciclado sabe, que a gente conhece até as falas. Falando nisso, o longa brinca até com esses roteiros super fofos e manjados desse tipo de filme. Amor à distância é meio "sujo" para a categoria.

É uma boa surpresa. Justin e Drew funcionam super bem na tela, afinal são casal também na vida real (rimou!!).


Divirtam-se!

beijos