O que nos espera após a morte é, talvez, umas das maiores curiosidades do ser humano.É,também,uma das perguntas que talvez fiquem sem resposta. Pra mim, está na lista das que nunca saberemos, temos diversas teorias mas não uma resposta certa.
Com esse mote, o diretor Clint Eastwood nos brinda com uma das viagens cinematográficas mais sensíveis que experimentei. Sem exageros, não consigo encontrar uma palavra pra descrever as mais de duas horas que passei na sala do cinema hoje.
Em "Além da vida" (Hereafter,2010) o veterano Eastwood nos mostra os diferentes efeitos da morte nas pessoas. E não pense você que é mais um filme que pegou carona na onda Chico Xavier. Esqueça os clichês das roupas brancas, pessoas bondosas e lugares lindos. O que temos aqui são três histórias tão bem contadas que é difícil acreditar que alguém criou isso (no caso Peter Morgan que roteirizou A Rainha, Frost/Nixon entre outros sucessos).
Matt Damon é George,um vidente que desiste de ganhar dinheiro com seu "dom" e tenta levar uma vida normal. Cecile de France é Marie, uma jornalista francesa de sucesso enquanto Frank McLaren é Marcus um garoto inglês que perde um ente querido. A princípio eles não têm nada em comum, nem a localização geográfica. São três histórias independentes que com maestria admirável se encontram. Seria mais um dramalhão não fosse a competência do diretor e do elenco. Vou dizer uma coisa, contar histórias realmente é para poucos. Enquanto o que mais a gente vê é diretor querendo enfiar informação em cada milésimo de segundo no filme, aqui as cenas são calmas, passa lentamente. A gente tem tempo de digerir cada fato novo, cada reação dos protagonistas, cada diálogo. Isso é incrível. Mas não pense que o lento aqui é arrastado. Pelo contrário. Ao fim dos 129min de exibição, você sai com a sensação do "mas já?".
Os atores estão perfeitos. Matt e Cecile deram um show e o novato Frank também. Eu gosto quando a gente custa a crer que aquilo foi ensaiado sabe, a sensação que temos é que ali, cada um deles está contando a própria história. É tocante. Sem super efeitos especiais de gente sendo levada aos céus, a simplicidade deu o tom. O contar uma boa história foi a estrela do longa. A trilha sonora é uma caso a parte, a música foi o condutor da viagem. É sério, eu cheguei em casa e disse pra minha irmã (né Cotinha, confirme ae!!) que foi um dos filmes mais belos que eu vi nos últimos tempos.
Só um detalhe: Steven Spielberg é um dos produtores do filme. O cara tem faro pra coisa boa, não tem jeito.
Chegar aos 82 com essa mão toda não é pra qualquer um. Viva ao Clint que faz bonito em frente e atrás das câmeras. Meu conselho? Não perca por nada nesse mundo esse filme. Me conta depois.
Encantadoramente gracioso. Esse é o 50º longa da Disney. Enrolados (Tangled,2010) é uma leitura super pop do famoso conto dos irmãos Grimm , Rapunzel. A diferença aqui é a mescla de ingredientes Disney e Pixar. De um lado a magia, o encanto e romantismo dos criadores de Mickey Mouse, do outro a graça, a atitude e irreverência dos responsáveis por sucessos como Toy Story, Os incríveis, Monstros S/A e Procurando Nemo. A parceria entre os estúdios já rendeu muita coisa boa e, se não me engano, esse é o primeiro longa "romântico" deles.
Como disse, a releitura é pop. Aqui Rapunzel não é salva por um príncipe mas sim pelo ladrão malandro e boa pinta, Flynn Rider. A bruxa Goethe sequestra a pequena Rapunzel e a tranca em uma alta torre para ter o poder rejuvenescedor de seus longos cabelos apenas para si. Um belo dia, fugindo dos guardas reais Flynn vai parar na torre da mocinha que logo faz um trato com ele: Me tire daqui que eu devolvo a coroa que você roubou do castelo (ela esconde a coroa para chantageá-lo).
A partir daí uma sequência de acontecimentos hilários acontecem. A produção é diversão certa para toda a família. Na minha humilde opinião, o frescor do filme se deve a John Lasseter, o crânio da Pixar que assumiu a direção das produções com a compra. Mesmo assim a gente percebe bem quem fez o que no filme. Por exemplo: as irônicas piadas são da Pixar enquanto as canções têm a cara da Disney (só podiam mesmo, são todas de Alan Menken que "musicou" Aladin, A Pequena Sereia, a Bela e a Fera e por aí vai). A mistura fez muito bem a Disney que já estava ficando pra trás em um segmento que ela mesma criou, o das animações.
A princesa aqui já não é mais aquela menina frágil e delicada. Nossa Rapunzel tem atitude, é bem-humorada e esperta.
E não para por aí: O mocinho é descaradamente parecido com Aladin, a princesa (é claro!) tem um amigo animal, a bruxa canta e tem os cabelos negros e a mais bela cena do filme envolve romance e música. Enfim, tudo o que um conto de fadas precisa ter para agradar a família toda.
Curiosidade: o nome inicial do filme seria Rapunzel, mas os produtores decidiram trocar para que o nome não afastasse os meninos das salas de exibição. Tangled significa trançado. Na versão em português, Flynn Rider ganhou vida pela voz de Luciano Huck, que fez bonito na dublagem.
Eu morri de rir em várias cenas e me peguei sorrindo encantada em outras. E o mais legal: na cópia em 3D a cena das lanternas flutuantes ficou simplesmente maravilhosa. Fica a dica, corra para a sala mais próxima e confira o desenho, vale cada centavo do ingresso, 3D ou não (as duas versões estão disponíveis).
Li em algum lugar que esse seria o último longa da Disney. Estou torcendo pra que isso seja mentira afinal, quem é rei nunca perde a majestade né. E viva Disney e Pixar!
Engraçado como a gente desenvolve laços com as coisas das quais gostamos né. Alguns hobbies são tão especiais que a gente dedica tempo, dinheiro, noites a fio pelo simples prazer de aprender sobre eles, melhorar, conhecer tudo o que há para saber.
Na semana passada eu fui ver o novo longa do Harry Potter (vai ganhar um post depois, pode crer). Cheguei no trabalho contando pra turma sobre o filme e blá blá blá mas comecei a pensar numa coisa. O HP é meu amigo. Eu vi esse menino crescer, acompanhei tudo a gente se conhece mesmo. Esse é um dos casos sobre dedicação que culmina em intimidade. Meu gosto pela telona é tanto, que toda a turma que faz parte dela, todo mundo que colabora para os sempre tão agradáveis momentos que passo diante dela, é parte da minha vida.
É que a gente cresce, assume novas responsabilidades e acaba priorizando outras coisas que nem sempre são tão prazerosas né. Já tive épocas em que minha vida era ler sobre cinema. Acompanhava tudo quanto era making off de filme que conseguia, palestras gratuitas (já cheguei a pagar também pq não?), livros, folhetos, almanaques, papel de bala, enfim, tudo o que pudesse me ensinar alguma coisa sobre a sétima arte.
Talvez hoje o meu tempo seja mais escasso mas o interesse com certeza é o mesmo. Eu choro quando o cinema perde alguém. Eu perco alguém também. Afinal já sonhei com atores, invejei atrizes, amei vestidos, curti músicas, me impressionei com cenários e fotografias, decorei diálogos e muito mais.
É claro que não gosto só de cinema, outras coisas também me atraem. Mas meu caso com ele é diferente, a gente se completa. Ele me seduz, me encanta, desperta em mim algumas coisas que só ele consegue. Já vivi momentos lindos naquela sala. Já chorei, senti medo, cantei, botei a cuca pra funcionar e viajei mesmo.
Eu confesso que sou bem tradicional com o ritual. Eu alugo filmes, empresto, baixo compro ,enfim, tudo o que puder para ver, mas nada substitui o prazer de ir ao cinema. Toda a emoção começa no guichê, tem um clima bom. Pegar a fila, procurar sua sala, torcer pra que haja um lugar bacana e que nenhum tagarela sem noção sente ao seu lado. Olhar pro lado pra ver se ninguém está te vendo chorar, segurar o riso pra não dar vexame, controlar a mordida pra não fazer barulho com a pipoca, desenrolar em doses homeopáticas a bala pra não atrapalhar ninguém, passar a sessão inteira com o saquinho de pipoca vazio sem amassar pra não ouvir vários "shhhh".... tudo isso é cinema!
Passar um ano lendo sobre um longa e esperar impaciente pela estreia é impagável! Tem coisas que definem você, no meu caso cinema é com certeza uma delas. Já fiz amizade com a galera da bilheteria de alguns cinemas na cidade. Já tenho minhas salas do coração também. Já fui uma semana inteira ver o mesmo filme, mudando de guichê pra mocinha não me reconhecer e achar que sou louca.
Mas eu não sou louca, eu gosto. Eu amo esse tal de cinema. Minhas experiências pessoais se confundem com as cenas que assisti. Já me perdi não tem mais jeito, o caminho é sem volta. Não tem mais rehab pra mim. Me arrisco a dizer que nesse vício eu faço questão de afundar.
E você, quer uma dose?? Tenho uns "baguio" da hora hein rs.
Panela "véia" é que faz comida boa já diziam os violeiros de plantão. Verdade, muito verdade. Diversão do início ao fim. Esse é RED - Aposentados e Perigosos (Red, 2010) que traz como protagonista Bruce Willis. Frank Moses (Bruce Willis) é um agente aposentado da CIA que leva uma vida sossegada, seguindo uma rotina meticulosamente definida e curtindo um namorico via telefone com a mocinha do seguro, a ótima Mary-Louise Parker.
Um belo dia nosso charmosão (e bota charmosão nisso minha gente) protagonista é surpreendido por assassinos em sua casa. A partir daí tem início uma caçada implacável desses agentes por Frank Moses. A ordem? Acabem logo com ele.
Entre tentar descobrir quem está port trás dessa ordem e a razão pela qual ele é o alvo, Frank vai atrás de seu antigo time dos tempos da CIA. Morgan Freeman, John Malkovich (hilário) e Helen Mirren (lindíssima) voltam ao campo depois de muitos anos para sentir a adrenalina e evitar que eles mesmso sejam mortos, já que também estão na lista da CIA.
O que se tem são situações hilárias e até mesmo absurdas. Se o intuito é diversão essa é a pedida certa, sem erro. O filme é a adaptação da HQ de Warren Ellis e Cully Hamner e tem tudo o que um filme de ação precisa ter: muitos tiros, perseguições, um time fantástico que lidera a ação e diálogos interessantes.
John Malkovich está sensacional como um agente neurótico que foi cobaia do governo por anos, Helen Mirren traz todo seu charme aristocrático para a matadora que hoje planta belas flores e Morgan Freeman diverte como o "velhinho" safado e quase imortal.
O longa ganha cara de história em quadrinhos por da estética fiel com cortes ágeis, enquadramentos elaborados e situações de ação que beiram o impossível.Com todo o elenco em excelente momento, o sarcasmo inteligente da produção tem direito a irônicas referências à era da Guerra Fria também. E o que quer dizer a sigla do filme? RED - Retired, extremely dangerous.
E, se mesmo assim cara colega (agora é de mulher pra mulher) ,você achar que não vale a pena o ingresso e que tiros são coisas de meninos, vou lhe dar um ótimo motivo para correr para a sala mais próxima e garantir seu lugar: Bruce Willis. Garanto que suspiros não faltarão pois o veterano careca está mais charmoso que nunca.
Não sei por que mas eu passei a maior parte do filme com calor... vai ver o ar estava com defeito né (rs!)
Tem horas que eu me revolto com a síndrome da parte dois. Tem filmes que simplesmente não devem ter parte 2. não tem de onde tirar, não tem razão pra furar a história buscando ganchos pra sequência, não tem!! Não tem!!!!
Maldito capitalismo no mundo cinematográfico viu.
Enfim, semana passada tinha tudo pra dar certo. Cinema com amigos na expectativa de um filme de terror com sustos garantidos. Turma boa, cinema bom, só o filme não era. Atividade Paranormal 2 (Paranormal Activity 2, EUA 2010) já carrega no nome vários motivos pra gente ver, afinal o primeiro filme, de 2007, é incrível. Simples, mas assustador. Cumpre bem seu papel. Já o dois....
É como se fosse o início de tudo, tipo "onde tudo começou". Micah (Micah Sloat) e Katie (Katie Featherston) tentam ajudar a irmã dela que teve a casa assaltada. Nesse meio tempo descobrem que a casa ,na verdade, está assombrada por entidades malígnas. Câmera na mão e vamos descobrir a razão da bagunça. O filme se passa antes da morte de Micah (que foi no primeiro filme, se você não viu, me desculpe) e conta como a situação chegou ao ponte que chegou.
O problema é que o primeiro filme foi completo. Não havia nada deixado pra ser explicado numa sequência. O segundo busca ganchos estranhos pra justificar as ações. Na boa, não vi sentido algum para um segundo filme. Tem coisas mostradas lá que não me remeteram ao primeiro filme, fica a sensação de que criaram mistérios pra fazer o segundo filme ter sentido. E esses mistérios criados são estranhamente ligados ao primeiro longa, chega uma hora que tudo vira um bolo só e nada faz mais sentido.
Ou seja, toda a ótima sacada do primeiro perde a graça e é anulada pelo segundo longa. Se você não viu não perca tempo, é frustrante. Uma das graças do primeiro filme era se deixar levar pelo ambiente (câmera caseira, ambiente familiar) e levar vários sustos, viver a história do casal de verdade. No segundo os tempos já estão manjados, a lance da câmera que corre com o relógio já está óbvio e as várias tomadas seguidas onde nada acontece cansa o espectador.
É claro, você é pego de surpresa vez ou outra (afinal é um filme de terror) mas Atividade Paranormal 2, fica devendo aos fãs do primeiro filme. A apreensão é por conta da criança, que estrela o segundo longa. E só.
Enfim, se a intenção é se apavorar escolha outro título ou vá até a locadora mais próxima e pegue o longa de 2007. Na boa, se eu fosse o Oren Peli (diretor do primeiro filme) colocaria o nome de Tod Williams (do segundo) na boca do sapo.