
Encantamento. Não dá pra sentir outra coisa vendo o novo e delicioso filme de Selton Mello. O Palhaço (O Palhaço, Brasil,2011) se mostra uma das mais adoráveis produções nacionais do ano. Ao menos pra mim ok. Uma viagem emocionante ao interior de um Brasil empoeirado e batalhador. Uma viagem ao interior de um palhaço em conflito e "sem graça".
O filme conta a história de Benjamin (Selton Mello), um palhaço que acha que já não tem mais graça, que está perdido em busca de uma razão. Um palhaço que, além de fazer o público rir, ainda tem que pensar nas mazelas de administrar o circo Esperança (nome mais que adequado), pertencente ao seu pai, o também palhaço Puro Sangue (magistralmente interpretado por Paulo José).
Durante a viagem dessa trupe é possível se pegar lembrando de várias coisas de infância. Ao menos quem viveu no interior vai entender o que eu digo. A paisagem empoeirada, a terra que levanta voo, o calor e a beleza tocante de lugares a ingenuidade no olhar dos moradores, fazem voltar no tempo. A melancolia que briga com a imagem do palhaço mexe com a gente. Não há como não se apaixonar pelo protagonista e se pegar torcendo por ele. Reparem na brasilidade do filme, como cada detalhe foi pensado, fotografia excelente. Leia as placas e depois me conte. As filmagens foram feitas em cidades mineiras.
A trama é simples e seria mais um filme sobre conflitos interiores não fosse a condução de Mello (também diretor e roteirista) e o conjunto de personagens que torna o longa tão completo. Fora a sensacional atuação de Paulo José, numa verdadeira aula de interpretação , há ainda a participação mais que especial de Moacyr Franco (que este ano completa 75 anos e foi aplaudido de pé durante a exibição do filme no Festival de Paulínia). Aliás, Moacyr foi uma surpresa pra mim viu, em seus pouco mais de 2 minutos de aparição, ele ensina como contar uma boa história. A ótima trilha sonora que mistura memoráveis hits bregas dos anos 70, época em que o filme se situa, é um personagem à parte.
Reza a lenda que o roteiro deste filme nasceu de um momento de "crise criativa" de Selton Mello. Não sei se é verdade mas, se for... quero uma crise criativa dessas! Mais uma prova de que Selton Mello é dos dos atores mais completos do Brasil.
Mais sobre o Palhaço? Não sei mais o que dizer. Poderia ficar só elogiando e procurando reproduzir o encanto que o filme conjura. Mas é melhor simplesmente recomendá-lo com muito, mas muito entusiasmo.
beijos
Apesar de eras sem me manifestar aqui no Cineopses, não podia deixar de prestar minha singela homenagem aos bravos profissionais que, apesar da crítica estrutura educacional brasileira, acreditam na educação e se dedicam em ensinar. Aos professores, meu muito obrigada!
Durante o colégio muitos deles passam pela nossa vida. Com alguns rola uma identificação maior, talvez por conta do tema lecionado. Com outros se estabelece uma relação de amor e ódio (no meu caso, com todos que tentaram me ensinar ciências exatas, eram meus carrascos rs). Há os que despertam em nós aquela paixão platônica, típica da época escolar (quem nunca se apaixonou por um mestra/mestra, erga a mão).
Hoje é dia do professor. Me perdoem a heresia mas, em diversos casos, temos professores que nem são formados oficialmente por alguma instituição ou exibem qualquer diploma. Simplesmente são mestres da vida. Nos ensinam coisas tão valiosas que diploma nenhum poderia comprar.
E já que ensinar é uma arte, separei uma listinha de professores memoráveis do cinema. Claro que não estarão todos aqui, afinal se contarmos os magistrados e os formados pela vida, dá filme pra chuchu. Enfim, quem nunca teve um:
O tipo carismático, bem-humorado e extrovertido como o professor John Keating, interpretado por Robin Williams, em ‘Sociedade dos Poetas Mortos’. O ara estremeceu as bases do conservador colégio Welton e mudou a vida de um grupo de jovens estudantes que passaram a viver a filosofia ‘carpe diem’ (aproveite o dia);
Aquele professor "brother", que a gente quer ter como amigo. Adepto das roupas nostálgicas e fã de rock´n´roll, Dewey Finn, vivido por Jack Black em "Escola do Rock", vira professor por acidente e conquista a garotada;
O tipo idealista, que acredita na humanidade e em um "bem maior" como o professor Charles Xavier (Patrick Stewart) de X-Men. Uma dia todo mundo vai se torcar que a máxima do "fazer o bem não importa a quem" é o caminho, acredida ele.
O inspirador Mark Thackeray (Sidney Poltier). Não dá pra falar de prodessores no cinema sem citar o filme Ao mestre com carinho. Só de lembrar já fico com os olhos marejados;
A talentosa e completamente nada convencional Whoopi Goldberg em Mudança de hábito. É só lembrar da Laurin Hill cantando que já justica a dona Whoopi na listinha;
Por último, mas não menos importante, o mestre dos metres. Aquele que detém a sabedoria do universo. Membro de uma raça misteriosa. Ele é o Grande Mestre da Ordem Jedi, um dos mais importantes do Alto Conselho Jedi nos últimos dias da República Galáctica, e o mais sábio, velho, e poderoso Mestre Jedi de todos os tempos. Com vocês, o único, Mestre Yoda!
E pra fechar com chave de ouro, umas frases inspiradoras do grande mestre para vocês: "Difícil de ver. Sempre em movimento está o futuro" ou "The dark Side clouds everything, impossible to see the future is".
beijos,
E hoje é dia do amigo. Quer dizer, no calendário né porque amigo não tem dia, tem espaço cativo, tem lugar guardado, tem boas lembranças, tem "podres" da gente de cor e salteado, enfim, amigo tem um pedaço da gente que ninguém mais tem.O mais bacana nas amizades é a diversidade das pessoas que consideramos amigas de verdade. Muitas não têm absolutamente nada a ver com a gente, outras têm algumas semelhanças e há quem seja a sua cópia fiel. Amigos são vitais para nossa sobrevivência.Esse mix de características me levou a escolher o filme RENT (Rent, 2005). O musical conta a história de 8 amigos, cada um completamente diferente do outro mas que têm em comum o amor pela música e a boemia.O longa de Chris Columbus (que é inspirado numa peça escrita por Jonathan Larson para a Broadway) traz a vida desses amigos vivem na moderna East Village, bairro da cidade de Nova York. Entre eles está Mark Cohen (Anthony Rapp), um cineasta nerd que ama Maureen Johnson (Idina Menzel), uma professora pública. Já Maureen sente atração por Joanne Jefferson (Tracie Thoms). Roger Davis (Adam Pascal) é o companheiro de quarto de Mark, viciado em drogas e portador do vírus HIV. Roger é apaixonado por Mimi Marquez (Rosario Dawson), uma dançarina que mora com o gênio da computação Tom Collins (Jesse L. Martin) que, por sua vez, gosta da drag queen Angel (Wilson Jermaine Heredia).
Como disse, um completamente diferente do outro mas que se atrairam por esse mágico sentimento chamado amizade. Claro que com tanta gente, rolam flertes, paixões, brigas, confissões tudo o que compõe uma boa história mas em meio ao turbilhão de problemas a lealdade e a certeza do poder contar um com os outros se destaca.Nem vou entrar no mérito da trilha sonora que é simplesmente sensacional! Todas as canções, além de musicalmente impecáveis, são carregadas de mensagens. Há quem diga que o filme é uma apologia ao sexo e as drogas. Na minha visão retrata um grupo de jovens descobrindo como lidar com uma doença (que viria se tornar um dos grandes desafios da humanidade mais pra frente) e viver por um ideal.
Se o filme fosse feito hoje, retrataria o mesmo grupo de amigos mas um pouco mais neuróticos, workaholics, estressados e em pânico. Retrato do mundo moderno. Mas isso não importa, o que importa mesmo e levar a sério a frase do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry no livro O Pequeno Príncipe e acreditar que realmente somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos.A música tema de Rent se chama "Seasons of Love" e a mensagem principal é como contamos nossas vidas? Em horas, minutos, xícaras de cafés, fraldas, sorrisos, multas de trânsito ou se tudo se resume à maneira como morremos.
Eu digo que contamos nas lições que aprendemos nos exemplos que demos, nos tombos que levamos, nas barreiras que superamos, nas conquistas e principalmente, nos amigos que conquistamos.Um beijo enorme para todos meus amigos!!
Fãs de romances épicos, regozijai-vos. Em tempos de emolovers e paixões vampirescas impossíveis (sem contar os vampiros gliterizados), é com muita alegria que lhes apresento "Brilho de uma paixão" (Bright Star,2009). Pense bem antes de torcer o nariz e achar que é mais um abacaxi romântico. O filme é uma ode aos romances épicos ingleses e o mais sensacional: Não é baseado em nenhuma obra de Jane Austen! - que fique bem claro que eu AMO a Jane Austen ok -
O poeta inglês John Keats (Ben Wishaw) é adorado pelos amigos mas não faz muito sucesso na imprensa. Isso, em 1818 ,significava que o moço não tinha renda. Perto dali Fanny Brawne (Abbie Cornish) desenha e costura as próprias roupas, tem a língua afiada e mora com a mãe, um irmão e a irmã caçula. A doença do irmão de Keats aproxima essas duas pessoas de mundos diferentes, criando uma relação peculiar.
Aos poucos essa aproximação gera um sentimento arrebatador, contado através de olhares, toques suaves, belas paisagens e muita poesia. Sem renda, Keats não pode oferecer um dote para desposar Fanny, mas quando se dão conta disso já é tarde demais, os dois já foram consumidos pela paixão que os condenara.
Entre a família dela que teme que a relação traga má fama e a impeça de arranjar um marido rico e o amigo de Keats que só se preocupa com a publicação de seus poemas, o casal burla as regras pra se ver, os momentos são intensos ao mesmo tempo que são puros e castos. Não que isso seja novo para o estilo, nada disso, mas a diretora Jane Campion (O Piano e Em Carne Viva) soube respeitar todas as regras que fazem desse gênero tão especial e, ainda, trazer um fôlego de renovação na escolha do roteiro e do casal protagonista.
Só o fato da história não ser baseada em nenhum romance de Jane Austen (talvez a autora mais famosa da Inglaterra) já é uma novidade. Depois, Ben Wishaw e Abbie Cornish deram um show de interpretação. As cenas em que os dois estão juntos chegam a arrepiar. A tensão entre os dois é tão transparente que é impossível não desejar um desses pra gente.
Outro ponto imperdível é a volta de Jane Campion. Se você parar para pensar, muito de O Brilho de uma Paixão lembra O Piano. A história dos diálogos mudos, os olhos que dizem tudo, toda a tensão sexual entre eles.
O jogo entre a castidade e a insinuação, escancarada nos tecidos escolhidos por Fanny em cada ponto dado antes do encontro com Keats. As transparências em certas partes dos vestidos, prontas para despertar o interesse do poeta.O balançar leve das cortinas quando os dois se encontram. Todos os detalhes "à la Campion" estética impecável.
Obrigatório pra quem gosta de uma boa história e um bom romance. Pra melhorar, tudo embalado pelas belas palavras de Keats.
beijos
Muita gente me pergunta se eu gostei do Thor. Acredito que, pela minha filosofia nerd convicta e pelo fato de acompanhar – ainda que não muito de perto – o personagem nas HQ’s, todos esperam ouvir alguma resposta xiita do tipo: “poderia ter sido melhor” ou “não é nada fiel aos gibis”, mas eu geralmente frustro esse pessoal ao dizer que sim! Thor é um ótimo filme!
Claro, não vou exagerar e dizer que é extremamente fiel com cada diálogo tirado dos quadrinhos, como acontece com Watchmen, ou que é o melhor filme de super-heróis de todos os tempos, posto que já pertence ao Batman com o Cavaleiro das Trevas, mas a história se amarra muito bem.
Para quem está chegando agora, Thor (Chris Hemsworth) é o mimado filho de Odin (o sempre sensacional Anthony Hopkins) que, no dia de assumir o trono do pai tem um dos seus notórios ataques de arrogância, acaba criando um “incidente internacional” entre dois reinos e acaba exilado na Terra (ou Midgard) sem martelo e sem poderes. 
Aqui a coisa entra um pouco no clichê e o amor dele por uma mortal, a pesquisadora Jane Foster (Natalie Portman em férias de Cisne Negro) ajuda o rapaz a se redimir e ser digno de empunhar novamente o mítico Mjolnir. Ok, mas o que faz dele um filme tão bom afinal? Eu respondo: os detalhes.
Uma boa história é contada nos detalhes. E nesse ponto o diretor Kenneth Branagh divide os fãs dos quadrinhos de quem nunca ouviu falar de Thor. As referências aos outros personagens do Universo Marvel estão todas ali para ser vistas como o Gavião Arqueiro (na pele de Jeremy Renner) – um dos meus personagens favoritos, por sinal – e menções a um certo Stark e um cientista especialista em radiação Gama que sumiu repentinamente.
Outro ponto que chama a atenção é a presença da SHIELD, a organização secreta mais importante dos gibis fazendo o que ela melhor faz: se meter em tudo e muitas vezes atrapalhar a vida dos heróis, principalmente os Vingadores.
Bom, acho melhor eu ficar por aqui antes que entregue algum spoiler e a Leiloca nunca mais me deixe escrever aqui. Pra fechar: se você não conhece o Thor, vá ao cinema. Se já conhece, vá ao cinema e fique até depois dos créditos! Você não irá se arrepender...Nota do Cineopses:
A resenha de hoje não poderia ter sido feita por outra pessoa que não meu amigo Carlos Bazela. Só confiaria nele para falar de quadrinhos com tanta habilidade. Portanto, se ele disse que é bom pode ir sem medo que deve ser mesmo! Valeu Bazela, o Cineopses agradece e ..... volte sempre! Com Marvel ou sem!